Governo federal não mandou fechar poços artesianos no Nordeste; postagens usam imagens de IA

AUTORIZAÇÃO PARA PERFURAR POÇOS É DE COMPETÊNCIA DOS GOVERNOS ESTADUAIS; NÃO FORAM ENCONTRADOS REGISTROS DE AÇÕES PARA FECHAMENTO DE POÇOS

9 jan 2026 - 15h12

O que estão compartilhando: que o governo federal mandou "entulhar" (bloquear) mais de 3 mil poços artesianos no ano de 2025 em cidades do Nordeste. Postagens mostram duas fotos em que agentes fiscalizariam as perfurações irregulares.

Governo federal não mandou fechar poços artesianos no Nordeste; gestão hídrica cabe aos Estados
Governo federal não mandou fechar poços artesianos no Nordeste; gestão hídrica cabe aos Estados
Foto: Reprodução/Redes Sociais / Estadão

O Estadão Verifica checou e concluiu que: é falso. A legislação que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos determina que a gestão e autorização para poços artesianos são competência dos Estados. Questionada pela reportagem, a Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), entidade federal, informou que não regula águas subterrâneas no País. Há indícios nas fotos dos agentes de fiscalização que sugerem uso de inteligência artificial na criação das imagens.

Publicidade

Saiba mais: A ANA disse que as águas subterrâneas são de domínio dos Estados e do Distrito Federal. A definição consta na Constituição de 1988 e na Política Nacional de Recursos Hídricos.

"Por isso, a ANA não regula as águas subterrâneas e somente as águas de domínio da União, que são as águas superficiais transfronteiriças, interestaduais e os reservatórios construídos com recursos federais", explicou a instituição.

O Verifica não encontrou registros de ações do governo federal para fechamento de poços artesianos irregulares no Nordeste do País. Também não foram encontradas notícias sobre ações do tipo por parte de governos estaduais da região.

Imagens de agentes têm indícios de IA

Publicidade

Publicações no TikTok e no Facebook mostram duas imagens que retratariam a fiscalização em poços artesianos. Contudo, uma análise feita em detalhes das fotos indicam vestígios de uso de inteligência artificial.

A primeira imagem tem problemas em marcas que estão na farda dos agentes.

Há uma insígnia similar à usada por 3º sargentos da Polícia Militar (aqui) no uniforme do homem à esquerda, mas a parte inferior do símbolo não está correta. Além disso, há uma bandeira com formas parecidas com a do Estado do Paraná (aqui), que não se parece com a de nenhum dos Estados da região Nordeste (aqui).

Também é possível encontrar problemas na geração de palavras na roupa e em objetos usados pelos agentes, que formam caracteres que não são letras visíveis.

Como mostrou o Estadão, é comum que a inteligência artificial tenha dificuldades para gerar palavras em objetos distantes.

A segunda imagem usada nas publicações também tem inconsistências em frases do boné e da camiseta dos indivíduos, formando símbolos não identificados.

Publicidade

O Verifica ainda submeteu as imagens a ferramentas que analisam o uso de IA em conteúdos. A ferramenta Hive Moderation identificou geração digital na segunda imagem e a SynthID, do Google, na primeira.

Como lidar com posts do tipo: O caso analisado pode ser checado a partir de uma pesquisa sobre a competência da gestão de poços artesianos no Brasil. Além disso, para analisar possíveis imagens geradas com IA, observe atentamente detalhes que podem apontar inconsistências.

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações