Caso Orelha: Porteiro faz revelação sobre agressão a cão em Florianópolis

Investigação da Polícia Civil aponta envolvimento de adolescentes na morte de Orelha; testemunha relata ameaças e veterinário descarta hipótese de acidente

2 fev 2026 - 12h46

Um crime de extrema crueldade mobilizou o país e gerou revolta em Santa Catarina. Orelha, um cão comunitário amado pelos moradores da Praia Brava, em Florianópolis, foi morto após ser vítima de agressões brutais no início de janeiro. A Polícia Civil investiga o envolvimento de adolescentes e apura denúncias de coação contra uma testemunha-chave. O programa Fantástico teve acesso exclusivo aos depoimentos e aos bastidores da apuração policial.

Caso Orelha: Porteiro faz revelação sobre agressão a cão em Florianópolis
Caso Orelha: Porteiro faz revelação sobre agressão a cão em Florianópolis
Foto: Reprodução/Globo / Contigo

O depoimento do porteiro e o conflito com adolescentes

A investigação ganhou novos rumos quando um porteiro da região surgiu como possível testemunha. Segundo depoimentos, o funcionário vinha sofrendo hostilidades de um grupo de jovens desde o início do verão, com episódios de depredação e insultos. Em um áudio enviado a um grupo de mensagens, o porteiro relatou o comportamento dos rapazes: "Na mesma noite que eles arranjaram confusão comigo, eles, parece, que deram umas pauladas em um cachorro. E, depois, foram lá e mexeram na barraca ainda. É seis folgados. São seis folgados que tem aí".

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Em depoimento oficial, o trabalhador detalhou as ofensas que recebia durante as madrugadas: "Eu fui bastante xingado, né? Eu tenho um vídeo deles danificando lixeiras na frente do condomínio. Isso duas, três horas da manhã. E eles xingavam de porteiro de merda, assalariado, lá, não sei o quê, e velho, e barrigudo. Eu gravei bem esses guris por causa dessas coisas".

Entretanto, sobre o momento exato do crime contra o animal, ele manteve a cautela: "Agora lá sobre a situação do cachorro, eu não posso acusar que foram eles. E eu digo para senhora: se eu tivesse visto batendo no cachorro, eu diria que eram eles".

Ameaça com arma de fogo e buscas policiais

A tensão aumentou quando familiares dos adolescentes fotografados confrontaram o porteiro. Câmeras de segurança registraram o momento em que um dos parentes parecia estar armado, o que motivou uma ação imediata da Delegacia de Proteção Animal. "E nesse momento, uma dessas pessoas estava com volume na região da cintura, que deu a entender ali, tanto para a vítima, que seria a pessoa coagida, quanto para duas testemunhas que estavam presentes no momento da discussão, que poderia ser uma arma de fogo", explica a delegada Mardjoli Valcareggi. Apesar das buscas nos endereços dos suspeitos, a arma não foi localizada.

O cão Orelha chegou a receber atendimento, mas o quadro era irreversível. O veterinário Derli Royer, que tentou salvar o animal, descartou qualquer possibilidade de atropelamento ou fatalidade acidental: "Lesões na cabeça, no olho, principalmente no lado esquerdo, e desidratado, sem quase nenhum movimento, não tinha reflexo. Foi tentado dar os primeiros procedimentos, a soroterapia e tentar levantar ele, mas como ele estava muito grave, ele veio a óbito logo em seguida", relatou o especialista. Questionado se descartava um acidente, ele foi categórico: "Descarto um acidente".

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Até o momento, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a quatro adolescentes e seus responsáveis. O caso segue sob segredo de justiça em partes da investigação, enquanto a comunidade da Praia Brava clama por justiça pelo cão Orelha.

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