Com a queda das temperaturas nos meses de outono e inverno, hospitais e prontos-socorros registram um aumento significativo nos atendimentos infantis por doenças respiratórias. Entre as maiores preocupações de pais e médicos está a bronquiolite, uma inflamação nas pequenas vias aéreas dos pulmões (bronquíolos) que afeta principalmente bebês com menos de dois anos de idade.
O que causa a bronquiolite?
A doença é majoritariamente viral. O principal causador é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por cerca de 80% dos casos, segundo dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde. No entanto, outros agentes virais, como adenovírus, influenza e parainfluenza, também podem desencadear a inflamação.
A transmissão ocorre pelo contato direto com secreções contaminadas ou superfícies que tenham recebido gotículas expelidas pelas vias aéreas de pessoas infectadas.
Sintomas e riscos da doença
Os primeiros sinais da bronquiolite costumam se assemelhar aos de um resfriado comum, incluindo coriza, tosse seca e febre baixa. O perigo reside na rápida evolução do quadro: em 24 a 48 horas, a criança pode apresentar dificuldade para respirar, chiado no peito e cansaço excessivo.
Os pais devem buscar atendimento médico imediato ao notar sinais de esforço respiratório, como as costelas "afundando" ao respirar, batimento das asas do nariz, recusa alimentar ou lábios com coloração azulada. O maior risco é a queda da oxigenação no sangue. Bebês prematuros, menores de seis meses ou crianças com doenças cardíacas e pulmonares prévias são os mais vulneráveis a complicações.
Estatísticas no Brasil
A bronquiolite tem um impacto expressivo no sistema de saúde. Dados do Ministério da Saúde indicam que, até fevereiro de 2025, o Brasil registrou 8.451 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), com cinco mortes causadas especificamente pelo VSR. Estimativas apontam que, de cada 100 casos de bronquiolite, cerca de 10 crianças precisam de internação e uma necessita de suporte em UTI.
Prevenção e vacina
A prevenção está diretamente ligada a medidas de higiene e cuidados ambientais. É fundamental lavar as mãos com frequência, evitar aglomerações e ambientes fechados, e manter os locais bem ventilados. A exposição à fumaça de cigarro também deve ser evitada.
A vacina tradicional da gripe não protege contra a bronquiolite. Contudo, há avanços na imunização: o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal que fornece proteção imediata contra o VSR, já está disponível na rede privada e foi incorporado recentemente ao Sistema Único de Saúde (SUS) para públicos específicos.
Como é o tratamento
Por ser uma infecção viral, não existe um remédio específico para curar a bronquiolite, e o uso de antibióticos não é indicado (a menos que haja infecção bacteriana associada). O tratamento é de suporte, focado em aliviar os sintomas por meio de lavagem nasal com soro fisiológico, hidratação adequada, repouso e controle da febre sob orientação pediátrica.