Uma mensagem de texto do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa mostra que ele pediu a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master investigado pela Polícia Federal (PF) por um esquema de lavagem de dinheiro, para visitar, junto da esposa, um dos seis apartamentos de luxo pagos como propina.
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Costa foi preso nesta quinta durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Na decisão que autorizou a ação da PF, consta a reprodução de uma mensagem enviada pelo ex-presidente do BRB a Vorcaro, a quem chama de "amigo".
"Obrigado pela conversa de hoje. A cada passo, o caminho está mais claro e estou mais empolgado com o que vamos construir. Além disso, dou muito valor ao alinhamento pessoal e acho que estamos bem alinhados em relação ao trabalho, visão de mundo e perfil", começa Costa.
"Se o Daniel (Monteiro) puder fazer e enviar o contrato, seria ótimo. Conversei com minha esposa e estaremos em SP na próxima semana. Seria legal mostrar o apartamento para ela. Assim, ela também vai se ambientando. Dia 01/03 está logo aí", continua o ex-presidente do BRB.
Segundo a PF, o nome Daniel citado na mensagem é o do advogado Daniel Monteiro, apontado como "arquiteto jurídico" de Vorcaro e também preso nesta quinta.
4ª fase da Operação Compliance Zero
O ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa recebeu R$ 140 milhões em propina por meio da transferência de seis imóveis de luxo feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, segundo informado pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Policiais federais cumpriram um total de dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, no Distrito Federal e em São Paulo. Segundo a PF, são investigados possíveis crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
De acordo com o blog de Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo, a operação desta quinta foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, após a PF afirmar ter detectado o caminho da propina a Paulo Henrique pela venda do Master ao BRB por meio da aquisição de imóveis.
Além de Costa, o advogado Daniel Monteiro, que atuava para o Master, também foi alvo de mandado de prisão por suspeita de montar a estrutura de lavagem de dinheiro para o ex-presidente do BRB.
O ex-presidente do BRB já havia sido alvo da primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado. Na ocasião, Costa foi afastado do comando do Banco.
A defesa de Costa considerou a prisão desta quinta como desnecessária. "Desde a primeira fase da operação, não há notícia de que ele tenha praticado qualquer fato que pudesse atentar contra a instrução criminal, contra a ordem pública, contra a aplicação da lei penal, de maneira que a defesa considera, no primeiro momento, a prisão absolutamente desnecessária", disse o advogado Cleber Lopes a jornalistas em frente ao prédio em Brasília onde Costa mora.
O Terra tenta contato com a defesa de Monteiro.
(Com informações do Estado de S. Paulo)