Preso nos Estados Unidos pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), o ex-deputado federal Alexandre Ramagem é casado com a advogada Rebeca Ramagem, com quem tem duas filhas.
Rebeca já atuou como procuradora do Estado em Roraima e também como delegada de polícia. A advogada, ela chegou a representar o marido em ações no Supremo Tribunal Federal (STF).
No dia 18 de fevereiro, Rebeca publicou um vídeo no Instagram afirmando que foi impedida de trabalhar na procuradoria. Na legenda, criticou a decisão do procurador-geral do Estado.
“O Procurador-Geral do Estado, ciente de que exerço trabalho remoto desde 2016 — regime adotado por cerca de um terço dos procuradores — resolveu seguir um exemplo de perseguição e ilegalidades. Em medida desproporcional e arbitrária, suspendeu meu regime de teletrabalho e impôs presença física obrigatória, apenas para me prejudicar, rompendo a isonomia interna e rejeitando a própria natureza digital das atribuições exercidas”, escreveu.
Na mesma publicação, ela afirmou esperar que o Governo de Roraima — que, segundo disse, se apresenta publicamente como defensor de garantias individuais, segurança jurídica e racionalidade administrativa — atue com moralidade e coerência institucional.
Em suas redes sociais, Rebeca se descreve como “mãe de duas princesas” e costuma fazer publicações em defesa da anistia aos condenados pelos atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023, além de críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em novembro do ano passado, ela viajou aos Estados Unidos com as filhas e publicou um vídeo ao reencontrar o marido. Na ocasião, afirmou que deixou o Brasil para proteger a família.
“Há uma semana, desembarquei com minhas filhas nos EUA com um único propósito: proteger a minha família. A proteção das nossas filhas é e sempre será a nossa prioridade. Hoje, infelizmente, não encontramos no país a garantia de uma justiça imparcial. Somos vítimas de lawfare e temos enfrentado uma perseguição política desumana. Ainda assim, seguimos firmes. Somos fortes, capazes e prontos para ressignificar nossa história. Iniciamos agora uma nova jornada — e, como sempre, seguiremos unidos”, escreveu.
Alexandre Ramagem foi condenado pelo STF, em setembro de 2025, a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ele deixou o Brasil antes da conclusão do julgamento.
Em dezembro do ano passado, Rebeca Ramagem desabafou em um vídeo após ter as contas bloqueadas. No Instagram, ela escreveu: "Sou servidora pública concursada há 22 anos, com trabalho efetivo e ininterrupto, nunca tendo respondido a nenhum processo criminal. Sofri agora o absurdo de ter minhas contas bancárias bloqueadas. Mais um ato abusivo e violador de direitos humanos praticado por ministro do STF".