Rubinho Nunes: quem é o vereador que levou soco no nariz durante manifestação estudantil em SP

Parlamentar do União Brasil já foi alvo de polêmicas como o compartilhamento de um laudo falso contra Guilherme Boulos

11 mai 2026 - 20h50
(atualizado às 21h43)
Vereadores do União Brasil se envolvem em pancadaria com estudantes da USP em manifestação
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O vereador paulistano Rubinho Nunes (União) voltou ao centro de uma polêmica nesta segunda-feira, 11, após se envolver em uma confusão durante um protesto de estudantes da USP, Unesp e Unicamp, no centro de São Paulo. O parlamentar foi agredido por manifestantes durante o ato, após questioná-los enquanto gravava um vídeo, e afirmou acreditar ter sofrido uma fratura após levar um soco.

Em nota ao Terra, a assessoria de Rubinho disse que ele foi agredido durante a manifestação e que ele estava no local para tentar dialogar com os estudantes sobre pautas relacionadas às universidades estaduais paulistas. (veja a íntegra ao fim da reportagem)

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Vereador Rubinho Nunes.
Vereador Rubinho Nunes.
Foto: Tiago Queiroz / ESTADAO / Estadão

"Em meio ao tumulto, Rubinho Nunes sofreu ferimentos no rosto e precisou ser encaminhado ao Hospital São Luiz Morumbi, onde passou por exames de imagem. Há suspeita de fratura. Diante da escalada de tensão e do risco à integridade física dos envolvidos, a retirada do vereador e de sua equipe foi necessária", diz o comunicado.

Rubinho já havia se envolvido em outro episódio controverso durante a eleição municipal de 2024. Na véspera do primeiro turno, ele compartilhou em seu perfil no Instagram um laudo médico falso, que foi compartilhado pelo então candidato à Predeitura, o influenciador Pablo Marçal, e atribuía ao deputado federal Guilherme Boulos um suposto tratamento por uso de drogas.

Durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024, Rubinho se aproximou de Marçal. Embora inicialmente apoiasse a reeleição do prefeito Ricardo Nunes, rompeu com a campanha em agosto daquele ano e passou a atuar alinhado ao então candidato do PRTB.

O documento, posteriormente apontado como falso por meio de perícia, mencionava um surto psicótico e resultado positivo para cocaína. O caso teve grande repercussão e levou a Justiça Eleitoral a cassar o mandato de Rubinho e declará-lo inelegível por oito anos, em decisão de primeira instância divulgada no fim de maio deste ano.

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No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) reverteu, por unanimidade, em novembro do ano passado, a decisão que havia cassado o mandato do vereador.

Eleito vereador pela primeira vez em 2020, com pouco mais de 33 mil votos, Rubinho ganhou projeção nacional como um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), atuando como advogado e mantendo forte presença nas redes sociais. Em 2024, foi reeleito com mais de 101 mil votos e passou a ser cogitado nos bastidores como possível presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

O rompimento com Ricardo Nunes para apoiar Marçal também frustrou os planos de Rubinho de assumir a presidência da Câmara. À época, ao ser questionado sobre a possibilidade de o vereador comandar a Casa, o prefeito afirmou que o cargo exigia alguém com “caráter”.

Sem espaço para disputar a presidência do Legislativo, Rubinho assumiu a Corregedoria da Câmara e intensificou a atuação em pautas de costumes. Integrante da ala conservadora, apresentou projetos para proibir a participação de crianças e adolescentes em eventos que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, vetar o uso de linguagem neutra nas escolas municipais e barrar procedimentos ligados à transição de gênero em menores de idade na rede municipal de saúde.

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Ainda no primeiro mandato, protagonizou outras controvérsias. Rubinho propôs a criação de uma CPI contra o padre Júlio Lancellotti e apresentou um projeto que previa multa de R$ 17 mil para quem distribuísse marmitas a pessoas em situação de rua sem autorização da Prefeitura. Após a repercussão negativa, a proposta foi suspensa.

Advogado por formação, com pós-graduação em Direito Trabalhista, Rubinho começou a ganhar visibilidade antes mesmo de entrar formalmente na política. Em 2016, apresentou um pedido de impeachment contra o então ministro do STF Marco Aurélio Mello, após decisão que autorizava a soltura de condenados em segunda instância. Dois anos depois, voltou aos holofotes ao conseguir na Justiça a suspensão de benefícios concedidos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na época preso em Curitiba.

Com a palavra, o vereador Rubinho Nunes:

"O vereador Rubinho Nunes foi agredido durante a manifestação estudantil realizada nesta segunda-feira (11), no centro da capital paulista, após o ambiente se transformar em um cenário de hostilidade, intimidação e completo descontrole.

O vereador esteve no local acompanhado de sua equipe para acompanhar a mobilização e dialogar com manifestantes sobre pautas relacionadas às universidades estaduais paulistas. No entanto, o que deveria ser um ato democrático rapidamente deu lugar a agressividade, ameaças e comportamento radicalizado por parte de grupos organizados presentes no protesto.

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Durante o episódio, manifestantes cercaram parlamentares e integrantes das equipes presentes, promovendo empurrões, intimidações e agressões físicas, tornando inviável qualquer diálogo racional ou permanência segura no local. Em meio ao tumulto, Rubinho Nunes sofreu ferimentos no rosto e precisou ser encaminhado ao Hospital São Luiz Morumbi, onde passou por exames de imagem. Há suspeita de fratura.

Diante da escalada de tensão e do risco à integridade física dos envolvidos, a retirada do vereador e de sua equipe foi necessária.

'O que vimos hoje não foi uma manifestação democrática, mas um ambiente tomado por radicalismo, intolerância e comportamento agressivo. Nenhuma democracia se sustenta quando grupos organizados tentam substituir o debate pela intimidação e pela violência', afirmou Rubinho Nunes.

A atuação da Polícia Militar foi fundamental para conter o avanço do tumulto e evitar consequências ainda mais graves diante do nível de hostilidade observado no local."

Fonte: Portal Terra
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