O presidente nacional do PL Valdemar Costa Neto afirmou nesta quarta-feira, 27, que o ex-governador do Rio Cláudio Castro só não será candidato pelo partido ao Senado se não conseguir reverter sua inelegibilidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
À revista Veja, o dirigente citou como motivos a popularidade de Castro no interior do Estado do Rio e a associação de seu nome à pauta da segurança pública, relevante para a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
Procurado pelo Estadão para comentar, Valdemar não retornou à tentativa de contato. Nos últimos 12 dias, o ex-governador foi duas vezes alvo de operações da Polícia Federal (PF).
À Coluna do Estadão, aliados de Flávio avaliaram que a candidatura de Castro ficou "insustentável" com nova operação da PF nesta terça-feira, 26. Segundo esses interlocutores do partido, o ex-governador é "carta fora do baralho" e não tem condições de manter a vaga na chapa do PL no reduto eleitoral da família Bolsonaro.
Na terça-feira, a PF deflagrou a oitava fase da Operação Compliance Zero, em que investiga a aplicação de recursos do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do Rio, em fundos ligados ao Banco Master.
Segundo as investigações, o governo do Rio aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pela instituição, liquidada pelo Banco Central e suspeita de operar créditos considerados de alto risco. A defesa do ex-governador negou qualquer relação "indevida" com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
Já no dia 15 de maio, Castro foi alvo da Operação Sem Refino, sobre as ligações de sua gestão à frente do Executivo fluminense com o Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior sonegador de impostos do País. Os agentes apreenderam o celular e o tablet de Castro.
Segundo a PF, ele atuou para criar um "ambiente propício" para que o grupo cometesse fraudes fiscais bilionárias no setor de combustíveis. A defesa negou ilícito envolvendo fraudes tributárias e favorecimentos ao Refit.
O ex-governador do Rio de Janeiro foi declarado pelo TSE inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A acusação apontou a criação de mais de 27 mil cargos comissionados irregulares para empregar cabos eleitorais e favorecer sua reeleição do governador em 2022. Ele renunciou ao cargo às vésperas do julgamento para evitar uma cassação.