Gerson Palermo, chefão do PCC que fugiu após ganhar prisão domiciliar de desembargador, é preso na Bolívia

Foragido desde 2020, apontado como integrante da cúpula de facção foi localizado em Santa Cruz de la Sierra

26 mai 2026 - 12h53
(atualizado às 13h17)
Gerson Palermo soma condenações a 126 anos de prisão e é apontado como chefe do PCC
Gerson Palermo soma condenações a 126 anos de prisão e é apontado como chefe do PCC
Foto: Reprodução/TV Globo

O traficante Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi preso pela Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico da Bolívia, na região de Santa Cruz de la Sierra, nesta terça-feira, 26, em uma ação conjunta com a Polícia Federal brasileira, segundo o Blog do Fausto Macedo, do Estadão. Foragido há seis anos, ele deixou o presídio federal de segurança máxima de Campo Grande após obter o benefício da prisão domiciliar, concedido em abril de 2020. 

Palermo acumula condenações por tráfico internacional de drogas e sequestro de avião. Ele ficou conhecido em 2000, quando participou do sequestro de uma aeronave comercial utilizada para roubar malotes do Banco do Brasil. Depois, segundo a Polícia Federal, passou a atuar no tráfico internacional de cocaína, fazendo a ligação entre facções brasileiras e cartéis da Bolívia e da Colômbia.

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Ele fugiu no mesmo ano em que foi solto, após o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) Divoncir Maran — atualmente investigado pelo caso — conceder a prisão domiciliar ao criminoso. Palermo somava 126 anos de prisão por diferentes condenações. Após obter o benefício, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu.

A defesa de Palermo não foi localizada até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Desembargador punido 

O desembargador Divoncir Maran foi punido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em fevereiro deste ano, com aposentadoria compulsória. O caso ocorreu em abril de 2020.

Segundo o programa Fantástico, da TV Globo, mensagens obtidas pela investigação indicam que o magistrado sabia antecipadamente do pedido de prisão domiciliar e avisou assessores. O pedido foi feito pela defesa de Palermo na véspera de um feriado, quando o TJMS operava em regime de plantão.

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Nas mensagens trocadas entre assessores do desembargador, um deles escreveu: “Vai entrar esse HC, chefe pediu para prover.” "HC" é a sigla para habeas corpus.

O benefício foi concedido cerca de 40 minutos após ser protocolado e, menos de cinco horas depois, Gerson Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu, quando passou a ser considerado foragido antes de ser capturado nesta terça-feira. 

Na ocasião, a defesa do traficante alegou que ele apresentava problemas de saúde e, por isso, no contexto da pandemia de covid-19, deveria ser beneficiado com a prisão domiciliar. Segundo o CNJ, porém, o desembargador não analisou adequadamente o processo ao conceder o habeas corpus.

Além disso, Divoncir Maran é investigado por suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa dele nega irregularidades.

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Fonte: Portal Terra
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