O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) intensificou as medidas de segurança para as eleições de 2026 e já determinou a substituição de 66 locais de votação considerados vulneráveis à atuação do crime organizado. A decisão alcança aproximadamente 188 mil eleitores distribuídos por 20 municípios do estado e supera, antes mesmo do pleito, o número de alterações durante as eleições municipais de 2024, quando 53 locais precisaram ser remanejados.
Os remanejamentos atingem eleitores dos municípios do Rio de Janeiro, Araruama, Bom Jesus do Itabapoana, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Itaboraí, Itaguaí, Itaperuna, Japeri, Macaé, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Pinheiral, Resende, Rio Bonito, Rio das Ostras, São Gonçalo, São João de Meriti e Volta Redonda. Em comparação com o último pleito municipal, a medida foi estendida a dez cidades a mais.
As mudanças foram autorizadas pelo presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, com base em levantamentos realizados pelo Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral. O colegiado reúne representantes da Justiça Eleitoral e dos setores de inteligência das forças de segurança para identificar áreas de risco e impedir que a votação ocorra em regiões sob influência de facções criminosas ou milícias.
Além de afastar as seções eleitorais de territórios dominados por organizações criminosas, o tribunal busca instalar os novos locais em áreas consideradas seguras, evitando também a proximidade com regiões controladas por grupos rivais. Outro critério adotado é manter os pontos de votação o mais próximo possível dos endereços originalmente previstos, reduzindo impactos para os eleitores.
Segundo o presidente do TRE-RJ, a medida tem como objetivo assegurar que o direito ao voto seja exercido sem qualquer tipo de intimidação.
"A mudança desses locais de votação é um compromisso com a higidez do processo eleitoral. Com essas trocas, buscamos garantir que o eleitorado possa ir às urnas tranquilo e escolher os candidatos que desejar, livre de pressões de qualquer tipo. Esse é um momento de exercer livremente o direito ao voto. O TRE-RJ atua para que essas escolhas possam ser confirmadas da maneira mais serena possível", afirmou Claudio de Mello Tavares.
A estratégia faz parte de um plano mais amplo elaborado pela Justiça Eleitoral fluminense para reduzir a interferência do crime organizado no processo eleitoral. Entre as atribuições do grupo de trabalho está o compartilhamento de informações de inteligência com a Procuradoria Regional Eleitoral sobre candidatos que solicitarão registro de candidatura. Os dados poderão subsidiar eventuais pedidos de impugnação apresentados pelo Ministério Público Federal caso sejam identificados indícios de vínculos com organizações criminosas.
Outra iniciativa adotada pelo tribunal foi a instalação, no início de agosto, do Gabinete Extraordinário de Segurança Institucional (Gaesi), criado para coordenar ações preventivas e repressivas contra crimes capazes de comprometer a normalidade das eleições. O TRE-RJ também aprovou, por unanimidade, o pedido de envio da Força Federal para atuar no estado durante a votação de outubro. A solicitação ainda depende de análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de articulação com o Ministério da Defesa.
Diante do número crescente de alterações, o tribunal orienta todos os eleitores do estado a consultarem previamente o local de votação antes do dia da eleição. A verificação pode ser feita por meio dos canais oficiais da Justiça Eleitoral, utilizando o CPF ou o número do título de eleitor, além do atendimento telefônico disponibilizado pelo TRE-RJ.