Com uma plateia cheia, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), pré-candidatas ao Senado por São Paulo, focaram na agenda da liderança das mulheres na política brasileira, no Summit Mulheres nas Profissões, nesta terça-feira, 4.
Questionada sobre episódios de machismo na carreira, Tebet relatou que faz parte de uma geração que podia se manifestar, mas dificilmente era ouvida. "Tenho 56 anos. Nós tínhamos voz, mas não tínhamos vez. Essa é a grande diferença", ressaltou.
Para a ex-ministra, mulheres que alcançam posições de liderança têm a responsabilidade de abrir portas para outras. "Nessa caminhada não estamos sozinhas. O que fazemos influencia a vida de outras mulheres. Não adianta alcançar o ápice, se outras mulheres não vierem", disse.
Defesa da igualdade salarial entre homens e mulheres
Durante a palestra, Tebet defendeu o aumento da participação feminina na política como forma de fortalecer pautas relacionadas às mulheres e às famílias. A ex-ministra também afirmou ter levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a demanda pela equiparação salarial entre homens e mulheres.
Ela defendeu que é preciso convencer "homens de bem e sensíveis" de que a pauta feminina não busca privilégios, mas igualdade. "Precisamos de mais mulheres na política para levar a pauta da mulher e da família", afirmou.
As barreiras não são iguais para todas
Já Marina Silva iniciou a fala afirmando que as barreiras enfrentadas pelas mulheres não são iguais para todas. "Se você é mulher e de origem humilde, preta ou pertence a determinados segmentos, as dificuldades são maiores."
A ex-ministra também citou estudos que apontam melhor desempenho de empresas lideradas por mulheres e disse que a presença feminina também produz resultados positivos na administração pública.
Marina afirmou que as dificuldades para ocupar posições de liderança começam antes da chegada aos cargos de comando. As mulheres enfrentam barreiras para empreender, acessar crédito, disputar eleições e permanecer na política, disse. "As estruturas não foram feitas para nós (mulheres)", acrescentou.
Ela afirmou que muitas mulheres deixam a vida pública depois do primeiro mandato por causa do ambiente hostil presente nos espaços de poder.
Marina também relatou situações que considera comuns para mulheres em posições de liderança. "Você vai para uma reunião, fazem uma pergunta para você olhando para o seu assessor porque ele é homem e é branco."
O avanço da extrema direita
Tebet ainda fez duras críticas em relação ao avanço da extrema direita no Brasil. A ex-ministra chegou a comparar o atual contexto com o cenário global e acusou o movimento de utilizar as redes sociais para promover uma espécie de "lavagem cerebral" entre os meninos, tornando-os mais conservadores "no mau sentido".
A ex-ministra disse que os discursos vistos em outros países estão mais visíveis no Brasil nos últimos anos, como a ideia de que mulheres "não sabem votar" por vieses progressistas ou terem um "olhar mais social".
Ela ainda mencionou o conceito de "voto familiar", em que apenas uma pessoa da família votaria, o chefe da família, e não a mulher, classificando esse tipo de comportamento como um risco para a democracia e aos direitos das mulheres. Durante o discurso, ela nomeou o "conservadorismo reacionário" como algo maléfico, ponderando que "o conservadorismo não é uma coisa ruim".
A ex-ministra defendeu ainda o aumento da representação feminina na política. "Só teremos a verdadeira transformação quando nós tivermos 50% de mulheres nos parlamentos brasileiros", avaliou.