‘Sacode', documento falso e invasão em celular: Veja como 'milícia de Vorcaro' agia para intimidar inimizades

PF aponta que grupo ligado a Vorcaro recebia milhões para intimidar desafetos, obter dados sigilosos e invadir sistemas

11 set 2026 - 15h48
PF detalha articulações de Vorcaro antes de ser preso e diz que banqueiro já sabia da operação
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As investigações acerca do banco Master e Daniel Vorcaro, apontam que além das fraudes financeiras e corrupção, o ex-banqueiro também seria o responsável por um ‘milícia’ que ameaçava e intimidava inimizades. A informação consta no relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, nesta sexta-feira, 11.

O levantamento da Polícia Federal indica que os núcleos ‘A Turma’ e ‘Os meninos’ conseguiam levantamentos clandestinos, dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais, por meio de ataques cibernéticos e invasões telemáticas. 

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Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro
Foto: Reprodução

O Terra entrou em contato com a defesa de Vorcaro, que afirmou que não vai se manifestar. 

Sicário foi contratado com ajuda de cunhado

Ambos os núcleos estariam ligados às ações de Luiz Phillipi Mourão, o Sicário de Vorcaro, e tinham como objetivo atender comandos do núcleo central da organização do ex-banqueiro. Ele teria sido contratado, segundo a PF, por Vorcaro com o auxílio de Fabiano Zettel — cunhado do ex-banqueiro, apontado como operador financeiro do Master, e pastor de igreja evangélica —, para esses serviços. 

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro
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O ex-Master se valia dos serviços de Sicário para realizar “atos de violência, coação e intimidação, com menções ao planejamento e possível execução de agressões físicas, mobilização de intermediários armados, constrangimento de ex-funcionários e à coleta de dados pessoais com o objetivo de pressionar e silenciar determinadas pessoas”. 

Pagamentos milionários

Por mês, o ‘funcionário’ recebia R$ 1 milhão, mas parte do valor era distribuído entre as pessoas que trabalhavam para ele. Ainda conforme a PF, havia também pagamentos extras, a título de bônus, e os valores superaram o montante de R$ 24 milhões pelos serviços. 

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Já o policial  federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que liderava ‘A turma’, pode ter recebido até R$ 9,6 milhões, que seriam divididos para pagar outros integrantes, pois, de acordo com a contabilidade apresentada por Sicário a Vorcaro, o grupo recebia R$ 400 mil por mês, para ser dividido entre 6 membros. 

Foi Marilson Roseno quem encaminhou para Sicário a imagem do sistema interno da Polícia Federal, com números de inquérito policiais, que envolviam o ex-banqueiro. 

‘Sacode’ em ex-funcionários

A investigação afirma que a ‘milícia’ era utilizada para realizar “atos de violência” contra desafetos e inimizades do ex-banqueiro. Entre as pessoas intimidadas, estariam também ex-funcionários de Angra dos Reis (RJ). Levantamentos da PF apontam que ele enviou documentos de um deles, que seria piloto do barco de Vorcaro, para Sicário e pediu para fazer um levantamento de tudo a seu respeito. “Esse teremos que ir pra cima", declarou em mensagem enviada em 28 de maio de 2028. 

Vorcaro também encaminhou o telefone do homem para monitorar o aparelho, provavelmente por meio de interceptação telefônica ilegal, por supostamente ter feito uma gravação dele, e disse: “Vamos ter que sentar com ele”, completando com “ele foi policial então é metido a besta”. 

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Uma mensagem reproduzida pela PF aponta que o documento de outro ex-funcionário também foi encaminhado, pois teria “ido na onda” do piloto. O homem havia trabalhado como chefe de cozinha. No dia seguinte, Sicário confirmou que “os meninos estão com tudo dele” e que estavam “aguardando instruções para dar continuidade".

'Sicário' era era responsável pela coordenação operacional de ‘A Turma’; ele seria o elo para que o núcleo atendesse aos comandos de Daniel Vorcaro
Foto:

Tempos depois, conforme o levantamento das autoridades, o ex-bancário encaminha um vídeo do trabalhador, dizendo que teriam que agir. Enquanto combinavam como iam abordar os dois funcionários, Vorcaro avaliou se deveria enviar policiais ou “bicheiros”. “O bom de dar sacode no chefe cozinha primeiro o outro já vai assustar”, ponderou. 

“Ao que tudo indica, o ‘sacode’ dado pela ‘Turma’ surtiu efeito, mas o monitoramento continuou e a ‘Turma’ ficou à disposição, no aguardo de qualquer comando para que algo mais grave ou violento fosse feito em desfavor do funcionário [piloto]”, disse a PF. O piloto e sua família teria sido ameaçados de morte pouco depois, por sete milicianos, conforme a investigação. 

Invasão telemática

A equipe de Vorcaro ainda teria invadido o iCloud, sistema de nuvem da Apple, de outro desafeto, além de suas contas da Meta, como Instagram e WhatsApp, fazendo com que ele perdesse os acessos. A figura em questão teria havia postado comentários negativos sobre o ex-banqueiro nas redes sociais. 

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Documentos falsos

Ainda segundo a PF, o grupo utilizava também de ofícios e e-mails institucionais para acionar canais de “law enforcement” de plataformas como a Meta, simulando solicitações oficiais para derrubar perfis e obter dados, com documentos sem assinatura válida e o uso de endereços de email funcionais de órgãos públicos. 

Inclusive, em um dos casos, Vorcaro pediu para que sua equipe fosse atrás de quem criou um perfil falso no Instagram, pois a pessoa teria ido atrás da filha dele. Ele pediu para derrubar a página e saber quem era a detentora da conta. Para isso, Sicário simula a expedição de ofícios como se houvessem sido emitidos legitimamente pelo Ministério Público do Estado do Ceará. 

“Observa-se que foi utilizado um ofício supostamente emitido pelo “Grupo Especial de Combate à Corrupção – GEOC”, do Ministério Público do Estado do Ceará, como se se tratasse de uma solicitação legítima encaminhada à Meta/Facebook”, diz a PF. 

A solicitação, inclusive, foi encaminhada à Meta pelo e-mail de uma servidora. No entanto, as autoridades não sabiam dizer que houve a participação dela ou se suas credenciais foram utilizadas por terceiros indevidamente. 

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Fonte: Portal Terra
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