A Polícia Federal investiga Eduardo e Flávio Bolsonaro por suposto financiamento ilícito do filme "Dark Horse", biografia de Jair Bolsonaro. Com autorização do STF, a apuração mira a gestão nos EUA de repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que previa investir US$ 24 milhões. Mensagens indicam que Eduardo orientou o envio de verbas a um fundo reativado no Texas ligado a seu advogado, sob suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa.
A Polícia Federal afirma que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria orientado como os recursos para o filme "Dark Horse", uma biografia do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, seriam geridos nos Estados Unidos. Segundo a PF, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi o responsável pelo "financiamento ilícito" da produção cinematográfica.
Eduardo não foi localizado para comentar.
Dono do extinto Master, Vorcaro classificou o aporte no filme como "o mais importante disparado", conforme mensagem enviada por ele ao cunhado Fabiano Zettel, apontado como seu operador. O ex-banqueiro reclamava de um atraso no pagamento e disse que aquilo não poderia se repetir.
A polícia pediu abertura de inquérito, em julho, para apurar o financiamento do filme sobre Bolsonaro. As suspeitas foram tornadas públicas nesta sexta-feira, 11. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a investigação.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e o irmão Eduardo são investigados. Entre os crimes sob apuração, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção passiva e ativa e organização criminosa.
A PF quer saber beneficiários finais do recurso e o papel de cada um nas negociações com Daniel Vorcaro.
A investigação também mira o publicitário Thiago Miranda, interlocutor de Daniel Vorcaro para assuntos de mídia.
Um relatório policial aponta que trocas de mensagens entre Miranda e Vorcaro mostram uma atuação de Eduardo para orientar a utilização do dinheiro enviado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
"Em 21/03/2025, THIAGO MIRANDA encaminhou a DANIEL VORCARO captura de tela de conversa atribuída a EDUARDO BOLSONARO, na qual eram apresentadas orientações sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos nos Estados Unidos, com menção à possibilidade de envio da maior quantidade possível de valores pelo modelo então em curso e referência à disponibilidade de ALTIERES SANTANA", diz a PF.
Altieres Santana era um gestor do fundo Havengate, sediado no Texas (EUA) e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
Após negociação com Flávio Bolsonaro, Vorcaro pretendia investir US$ 24 milhões na produção do filme, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época. A atuação pessoal do senador com o ex-banqueiro foi revelada pelo site The Intercept.
Entre fevereiro e setembro de 2025, foram realizadas remessas internacionais no total de US$ 12.333.335,00. O dinheiro saía da empresa Entre Investimentos e Participações Ltda, de Antônio Carlos Freixo Júnior, e era enviado para o Havengate.
Esse fundo foi criado em 2020 para um projeto imobiliário no Texas que nunca saiu do papel e teve registros cancelados em 2021. O fundo permaneceu "dormente" por quatro anos até ser reativado em 2025 para receber os repasses do filme.
Para a PF, a reativação "constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade entre o perfil do veículo financeiro utilizado e a destinação declarada dos recursos".