Receptor de dinheiro de empresa sancionada nos EUA, Buzeira promoveu compra de criptomoeda de Trump

Influenciador disse ter investido quase R$ 3 milhões na moeda do presidente dos Estados Unidos; meses depois Buzeira recebeu repasses de empresa sancionada por suposta ligação com o PCC; defesa de Buzeira não se manifestou

3 jul 2026 - 16h35

BRASÍLIA - Apontado pela Polícia Civil de São Paulo como receptor de R$ 1 milhão de uma empresa sancionada pelo governo dos Estados Unidos, o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva - conhecido como Buzeira - comprou quase R$ 3 milhões em criptomoedas do presidente americano, Donald Trump, e influenciou que seus seguidores fizessem o mesmo com a perspectiva de obter ganhos elevados.

A Victory Tranding, empresa que teria realizado os repasses a Buzeira, foi sancionada na última quarta-feira, 1º, pelo governo Trump por supostas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Um relatório produzido pela Polícia Civil em junho deste ano demonstrou os elos entre o influenciador e a empresa que integraria uma rede de lavagem de dinheiro do crime organizado. Procurada, a defesa de Buzeira não se manifestou.

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Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido nas redes sociais como Buzeira, foi preso em uma operação da Polícia Federal suspeito de desarticular um esquema milionário de lavagem de dinheiro.
Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido nas redes sociais como Buzeira, foi preso em uma operação da Polícia Federal suspeito de desarticular um esquema milionário de lavagem de dinheiro.
Foto: @buzeira_oficial via Instagram / Estadão

Em janeiro deste ano, Buzeira publicou uma série de stories no Instagram descrevendo sua experiência como "trader de criptomoedas", em especial a lançada por Trump. Nos vídeos, ele avalia que "essa moeda vai dar bom". "Vocês que estão entendendo desse mercado, eu acho que vale a pena comprar essa moeda", afirmou.

"Compra um pouquinho. Eu vou comprar também. Vamo embora. Bora arriscar", disse. "Aproveita que ela está baixinha (cotação). Daqui a pouco ela vai dar um soco para o alto. Vai compra. Se todo mundo acreditar, ela vai subir", prosseguiu.

"Aí você analisa: Donald Trump é o presidente dos Estados Unidos e ele vai assumir a posse na segunda-feira (20 de janeiro). Se eu fosse o dono de uma moeda, eu ia querer que ela valorizasse ainda mais. Então na segunda-feira, ela não vai cair. Vai subir ainda mais".

Após a divulgação, o influenciador mostrou o seu dashboard de investimentos para comprovar o valor aplicado na moeda de Trump. A tela apresentava uma compra de 18.929 ordens pelo preço de US$26,40, o que corresponde a pouco mais de US$ 499 mil, ou R$ 2,7 milhões.

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"Rapaziada, eu sou um grande influenciador. Um monte de gente começou a comprar a moeda e ela valorizou mundo. Ela estava parada e pum (sinal de alavancagem). Quem comprou na hora que eu avisei, estourou", arrematou Buzeira. "Na segunda-feira essa moeda vai valorizar e vai aumentar. Algumas pessoas vão vender. Eu já entendi esse mercado. Alguns vendem, mas quem vender vai ser burro. Deixa o Trump fazer o trampo".

O elo de Buzeira com a empresa sancionada pelo governo americano por ligações com o PCC está relacionado ao caso Corinthians e Vai de Bet. Segundo a Polícia Civil, o influenciador contava com "ótimo trânsito junto à direção corintiana" e pode ter se beneficiado de recursos desviados do Parque São Jorge por empresas ligadas ao esquema, como a Victory Trading.

"Vislumbra-se um entrelaçamento atípico de pessoas ligadas, direta ou indiretamente, à direção da agremiação lesada, com o agravante de que há fortes indícios a indicar que as sociedades empresariais em tela, bem como o influenciador citado, mantêm aparente relação com o crime organizado", afirmou a Polícia em seu relatório.

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