Preocupa interferência dos EUA em investigação sobre organizações criminosas do Brasil, diz Durigan

Mais cedo, PF disse que operação contra brasileiros foi planejada antes de sanção americana contra PCC

3 jul 2026 - 15h43

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que preocupa a interferência da gestão de Donald Trump nas investigações sobre organizações criminosas brasileiras. Ele destacou que o Brasil tem compromisso com o combate a essas organizações e pessoas físicas e empresas já estavam sendo investigadas pelo País.

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"Essas organizações são, de fato, muito ruins e causam terror social no Brasil. E aí, o que a gente fica com dúvida, tanto nós, quanto a população brasileira, é o que será feito com isso. E esse espaço de ataque, esse espaço de interferência dos Estados Unidos no Brasil, sem que a gente saiba exatamente o que se pretende com isso, é o que nos preocupa", afirmou o ministro, em entrevista concedida nesta manhã ao portal g1.

Preocupa interferência dos EUA em investigação sobre organizações criminosas do Brasil, diz Durigan
Preocupa interferência dos EUA em investigação sobre organizações criminosas do Brasil, diz Durigan
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Mais cedo, a direção da Polícia Federal (PF) afirmou que a operação deflagrada nesta sexta-feira, 3, contra brasileiros sancionados pelos Estados Unidos por elos com a facção criminosa PCC já tinha sido planejada antes de a facção ter sido declarada como organização terrorista.

Os investigadores disseram, porém, que precisaram antecipar o cumprimento da operação por causa da divulgação das sanções dos Estados Unidos a esses alvos, por receio de fuga.

"Essas pessoas físicas e essas empresas já estavam sendo investigadas no Brasil, pela Polícia Federal, pela Receita [Federal]. A gente já sabia, não tem novidade. Hoje mesmo a polícia faz uma operação, quer dizer que a investigação já estava em curso há um tempo", completou o ministro.

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Segundo Durigan, já houve troca de informações e o Brasil segue interessado nesse compartilhamento. "A própria autoridade brasileira informou ao governo dos Estados Unidos o que se passava aqui. Não tem novidade para a gente, que já estava investigando e punindo essas pessoas e essas empresas", prosseguiu o ministro.

A ação da PF nesta sexta-feira teve como alvos os empresários Stella Stefanie Nunes e Victor Henrique de Oliveira Shimada, os primeiros brasileiros sancionados pelos Estados Unidos desde que o governo de Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.

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