O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, afirmou em delação premiada que era responsável por gerar dinheiro em espécie e entregá-lo em malas a emissários do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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O acordo de colaboração foi firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master, marcou uma audiência para a próxima terça-feira, 8, para ouvir o empresário sobre a voluntariedade da colaboração e analisar a homologação do acordo.
Segundo o relato de Freixo Júnior, ele se comprometeu a pagar cerca de R$ 2 bilhões em multa e forneceu aos investigadores informações sobre operações financeiras que, segundo ele, foram realizadas a pedido de Vorcaro.
Repasses para o fundo Havengate
Entre os episódios relatados pelo empresário estão transferências para o fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e administrado por um advogado ligado ao Eduardo Bolsonaro.
Freixo Júnior afirmou que os recursos utilizados nos pagamentos tinham origem em uma espécie de conta conjunta mantida com Vorcaro, que seria utilizada para quitar despesas de interesse do banqueiro.
Mensagens e comprovantes encontrados no celular de Vorcaro registraram pagamentos de pelo menos US$ 10 milhões ao Havengate, valor que correspondia a cerca de R$ 61 milhões na cotação da época. Os repasses teriam sido determinados por Vorcaro sob a justificativa de financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Freixo Júnior entregou aos investigadores documentos que, segundo seu relato, demonstrariam que os pagamentos feitos pela Entre Investimentos ao Havengate tinham como origem essa conta mantida com Vorcaro. Ele também apresentou comprovantes das operações de câmbio utilizadas para enviar os recursos ao exterior.
O material poderá ser utilizado pelos investigadores para aprofundar a apuração sobre a origem e a finalidade dos recursos e verificar eventual ocorrência de crimes relacionados à evasão de divisas.
Dinheiro vivo em malas
Em outro trecho da colaboração, Freixo Júnior relatou que recebia pedidos de Vorcaro para gerar dinheiro vivo e entregá-lo a pessoas ligadas ao banqueiro. Segundo o empresário, esses emissários seriam responsáveis por receber os valores e encaminhá-los posteriormente aos destinatários finais.
Freixo Júnior também teria fornecido documentos e outros elementos para tentar comprovar os relatos feitos aos investigadores. Entre os materiais que podem ser analisados estão registros financeiros e informações sobre as movimentações relacionadas à obtenção e à entrega do dinheiro em espécie.
Investigação
Os investigadores deverão cruzar as informações apresentadas pelo empresário com outros elementos já obtidos na apuração, incluindo dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro.
O objetivo é verificar a correspondência entre os relatos de Freixo Júnior, as movimentações financeiras e as comunicações mantidas pelo banqueiro, além de tentar identificar os destinatários finais dos valores.
Como o acordo ainda precisa ser homologado pelo STF, as informações apresentadas por Freixo Júnior são, neste momento, alegações feitas no âmbito de uma colaboração premiada e ainda dependem de confirmação por outros elementos de investigação.