Operação contra Jaques Wagner mira braço do Master no PT da Bahia; político recebeu apartamento de R$ 2,5 mi e propina de R$ 3,5 mi

Investigação apura vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em negócios na Bahia e a suposta participação de Wagner no esquema

18 jun 2026 - 08h50
(atualizado às 18h05)
PF faz buscas contra Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, em caso Banco Master
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Pela primeira vez, a Operação Complice Zero está mirando políticos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta nona fase, o principal alvo é o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e ex-governador da Bahia. A investigação apura fraudes envolvendo o Banco Master e o PT na Bahia, os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e a suposta participação de Wagner no esquema.

Em fases anteriores, a PF já mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O presidente da Câmara Hugo Motta (MDB-PB) também é investigado por solicitar ao ex-dono do Banco Master empréstimos para uma empresa da família de sua esposa, além de pagamento de viagens.

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Wagner teria recebido pagamentos do Banco Master durante anos pela empresa da enteada Bonnie Bonilha, através de um contrato de consultoria que totalizou R$ 11 milhões em recebimentos. Ele também teria viajado com frequência em jatos de Daniel Vorcaro e recebeu um apartamento de presente em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, segundo investigação da PF. 

Lula e Wagner, principal articulador do PT na Bahia e alvo da nona fase da Operação Compliance Zero
Lula e Wagner, principal articulador do PT na Bahia e alvo da nona fase da Operação Compliance Zero
Foto: PT na Bahia

Além de mandados de busca e apreensão cumprindos em endereços do senador, a operação também tem como alvo o empresário Augusto Lima. Ex-sócio de Vorcaro, ele arrematou a rede baiana de supermercados Cesta do Povo, em 2018, que era a antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), privatizada pelo sucessor de Wagner, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa. 

No Estado, Lima também implementou um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master, o Credcesta.

O empresário chegou a ser preso na primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado, mas foi solto pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e não foi alvo de outras fases. A suspeita da PF é que ele também atuou na operação fraudulenta de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Lima é influente na Bahia com trânsito entre políticos do PT e também da oposição.

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Quando o escândalo do Banco Master explodiu, o jornal O Globo revelou que tanto o grupo petista, liderado por Wagner, quanto o grupo de ACM Neto (União Brasil) fecharam um acordo para deixar o caso fora da disputa eleitoral no Estado. Na ocasião, nenhum dos políticos quis se manifestar sobre o assunto. 

O mesmo jornal divulgou, em março, que Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da gestora de recursos Reag, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia disse que os valores são referentes a serviços de consultoria. 

Segundo a PF, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro. Não foram cumpridas medidas de monitoração eletrônica.

Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. As ações acontecem na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A decisão inclui medidas cautelares como a proibição de contato entre os investigados, a suspensão de passaportes e o uso de monitoração eletrônica.

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O que diz a defesa de Jaques Wagner

O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas. 

Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira. 

Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.

Fonte: Portal Terra
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