'Não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana', diz Lula

Na abertura da reunião ministerial, presidente afirmou que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, é um 'latino americano frustrado' e voltou a criticar a família Bolsonaro, sem citá-los nominalmente

3 jun 2026 - 11h33
(atualizado às 14h35)

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 3, que o governo brasileiro "não pode aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao País nesta semana". Na abertura da reunião ministerial, Lula criticou a proposta do Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de tarifa de 25% sobre produtos nacionais.

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Lula afirmou que vai mandar outra carta para o presidente dos EUA, Donald Trump, e escrever novos artigos na imprensa americana para defender o posicionamento do Brasil. "Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump, vou escrever quantos artigos forem necessários escrever na imprensa americana e na imprensa mundial, para mostrar que eles estão errados, equivocados, e que estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária", afirmou.

Lula criticou medida do governo Trump em reunião ministerial
Lula criticou medida do governo Trump em reunião ministerial
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

No discurso, o presidente reafirmou que os EUA justificam a medida alegando um déficit comercial com o Brasil, mas argumentou que, nos últimos 15 anos, os americanos acumularam um superávit na balança comercial com o País.

"Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Eu fiquei sabendo da taxação pelo Twitter. Uma taxação consubstanciada com base em inverdades", disse.

O presidente também criticou o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo Lula, Rubio "não gosta da América Latina nem do Brasil". "É um latino americano frustrado", disse aos ministros.

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Lula repetiu parte das declarações que fez nesta terça-feira, 2, em Goiás. Na reunião ministerial, porém, não citou o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário dele nas eleições de outubro.

"Confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem e antes de ontem com a decisão deles (EUA). E mais ainda, o que é triste, é que tem brasileiros que não vou citar nomes aqui, fomentando essa briga na perspectiva de que se ele taxar a gente ele vai prejudicar uma candidatura a presidente da República, e um imbecil desse não percebe que quem é prejudicado é o povo, não é o Lula", afirmou.

"Vocês, ministros, não podem deixar de dizer isso em alto e bom som: 'estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, rasteiros, de uma disputa eleitoral'. Não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria", disse, em referência aos integrantes da família Bolsonaro, mas sem mencioná-los nominalmente.

Lula também afirmou que, caso os Estados Unidos criem novas barreiras contra o Brasil, a orientação é achar novos parceiros comerciais. "Não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros. Se eles não querem comprar, nós vamos vender para quem quiser comprar, a gente não vai ficar reclamando", disse o presidente.

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Ele também citou minerais críticos brasileiros, que são de interesse dos Estados Unidos, afirmando que é preciso se comunicar ao governo brasileiro antes de iniciar explorações.

Período eleitoral

Lula também disse aos ministros que nenhuma iniciativa do governo deve ser apresentada mais neste ano. A orientação dada pelo presidente é entregar todas as ações já idealizadas até o dia 3 de julho, data limite da legislação eleitoral para a inauguração de obras por parte do Executivo.

"Ninguém me apresente absolutamente nada novo, agora é entregar o que já foi pensado. Tem muita coisa que vocês já pensaram, muita coisa que eu até pensei que já estava funcionando e algumas ainda não estão funcionando por problemas burocráticos", disse o presidente.

Lula convocou reunião ministerial para esta quarta-feira, 3
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Ao falar sobre as eleições presidenciais de outubro, Lula disse aos ministros que o momento é decisivo para o "fortalecimento da democracia" no Brasil.

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"Nós estamos em um momento decisivo para que a sociedade brasileira e, até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso País. A nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, a nossa luta para que este País não seja tratado, em nenhum momento, como uma republiqueta insignificante", afirmou.

O presidente também reclamou de ministros que inauguram ações sem contato anterior com a Casa Civil. "Nós precisamos estar informados do que está acontecendo neste País", disse Lula. As ações judiciais de ministros em tribunais superiores, sem consulta à Advocacia-Geral da União (AGU) e à Casa Civil, também foram alvo de críticas de Lula. "É importante que a gente não saiba nada pelos jornais, que a gente saiba as coisas pelo compromisso de ser um governo unitário, democrático e progressista", afirmou.

Lula convocou reunião ministerial nesta quarta para definir como será a estratégia de propaganda do governo federal nos últimos meses de mandato. A ideia do presidente é alinhar a divulgação dos principais programas com potencial eleitoral para a campanha à reeleição, como o Desenrola 2.0 e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.

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