Michelle Bolsonaro chamou André Mendonça de "ungido do Senhor" em meio a uma crise no STF. O tribunal vive um impasse após Mendonça ordenar um relatório que cita Alexandre de Moraes e o procurador-geral Paulo Gonet, o qual pediu a anulação da peça. Em resposta, Moraes tentou incluir o colega no inquérito das fake news, acusando-o de parcialidade. O presidente da Corte, Edson Fachin, negou o pedido de Moraes e determinou que os envolvidos, a PF e a PGR se manifestem sobre o caso até 21 de setembro.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) chamou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de "ungido do Senhor" em meio à crise na Corte.
Em uma publicação no Instagram, Michelle relembrou o apoio que conferiu à indicação de Mendonça ao STF. Antes de ser nomeado para a Corte, Mendonça foi advogado-geral da União (AGU) do então presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Em um dia muito marcante, na nossa salinha de consagração, Deus me revelou a sua entrada naquele tribunal. (...) Depois daquele dia, tivemos a certeza de que aquela cadeira era sua", disse a ex-primeira-dama, que concorre ao Senado pelo Distrito Federal. "Seja forte e corajoso. Não retroceda!", completou Michelle.
O STF vive um impasse institucional após Mendonça, relator do caso Master na Corte, ordenar a produção de um relatório sobre as relações do banqueiro Daniel Vorcaro com um interlocutor que acabou sendo identificado como Alexandre de Moraes. A íntegra do relatório foi publicada pelo Estadão.
Instada a se manifestar sobre o relatório, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade do documento. Segundo Paulo Gonet, o documento é nulo pois Mendonça mandou investigar Moraes sem pedir autorização ao plenário da Corte, como determina a lei do foro por prerrogativa de função, o foro privilegiado. O relatório sobre Moraes também inclui menções ao procurador-geral.
Em retaliação a Mendonça, Moraes pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, para incluir o colega no inquérito das fake news. Para tanto, utilizou relatórios de inteligência da PF segundo os quais Mendonça acumularia indícios de parcialidade na condução dos casos Master e das fraudes no INSS. Porém, os próprios documentos atestam que não possuem "lastro probatório", ou seja, não apresentam provas para as observações ali incluídas.
Fachin negou a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news e pediu para que Moraes, Mendonça, a PGR e a PF manifestem-se sobre o caso. O prazo para que todos se pronunciem termina em 21 de setembro.