BRASÍLIA - O cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou nesta quarta-feira, 5, a campanha petista. Marcola, como é conhecido, pediu para sair após a Polícia Federal descobrir uma transferência financeira feita a ele pela empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista em negócios do Careca do INSS.
Braço direito de Lula, Marcola alegou que fez um empréstimo em caráter privado e o quitou com um repasse de R$ 249 mil. Roberta é amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Tanto ela como Fábio, o filho mais velho do presidente, são investigados em inquéritos da PF, sob suspeita de tráfico de influência no governo federal.
Sob pressão, o assessor conversou com o presidente e solicitou a saída do comitê para que o caso não contaminasse a campanha. Ele contratou o advogado Georges Abboud e disse que concentrará os próximos dias na sua defesa.
"Em primeiro lugar, meus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça", disse Marcola em nota. "Faço isso para deixar claro e público que jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela (Roberta Luchsinger), pago com a transferência bancária de R$ 249 mil - uma movimentação estritamente privada".
No último dia 21, Marcola já havia deixado a chefia de gabinete de Lula, no Palácio do Planalto, para integrar a coordenação da campanha à reeleição. No comitê petista, ele já atuava ao lado de Gilberto Carvalho, que também foi chefe de gabinete de Lula nos dois primeiros mandatos.