Lula diz que Fachin e Gonet precisam tranquilizar a população, 'sem tentar esconder nada'

Presidente citou crise no STF em evento no Palácio do Planalto e afirmou que 'ninguém, em nome da democracia, pode utilizar seu cargo para ter benefício próprio'

4 set 2026 - 12h14
(atualizado às 12h42)
Resumo
O presidente Lula declarou que cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral, Paulo Gonet, tranquilizar a população com total transparência diante das recentes crises no Judiciário. Ao criticar vazamentos ilegais e o uso de cargos públicos para benefícios pessoais, Lula defendeu a necessidade de debater uma reforma no Poder Judiciário no próximo ano para preservar a confiança da sociedade e fortalecer as instituições democráticas.

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 4, que está "nas costas" do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, passar tranquilidade para a população brasileira, "sem tentar esconder absolutamente nada".

Lula fez as declaração em evento no Palácio do Planalto, logo após um discurso de Fachin, na mesma cerimônia, sobre a crise no STF, envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

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Lula, presidente da República
Lula, presidente da República
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O presidente afirmou ainda que quer fazer no próximo ano uma discussão profunda sobre a necessidade de uma reforma no Judiciário. Além disso, disse que ninguém, em nome da democracia, pode utilizar seu cargo para ter benefício próprio.

"Tenho certeza que faremos para o próximo ano uma discussão profunda sobre a necessidade de uma nova reforma no Poder Judiciário brasileiro para que o povo possa continuar acreditando na Justiça. Porque ninguém, ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém", declarou.

Ele disse ainda que tem uma preocupação quase que "sobrenatural" para que a sociedade não perca a esperança e a fé nas instituições. Depois de citar a crise no STF, disse que se não houver instituições sólidas, a democracia fica vulnerável.

"Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação. Afinal de contas, ela vale para todos. E eu disse ao meu amigo Fachin, a Suprema Corte e a Procuradoria Geral da República estão com muita expectativa da sociedade brasileira. Porque quando os filhos estão em desordem, é quem manda na casa quem resolve. Então, meu caro, está nas suas costas, nas costas do Paulo Gonet, a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade sem tentar esconder absolutamente nada", completou. Os dois estavam presentes no evento de sanção de projetos que criam fundos no sistema de Justiça.

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Lula disse ainda que o Brasil vive uma "época perigosa" e afirmou que "denuncismo, vazamentos e fake news não contribuem com democracia". Recentemente, parte da investigação na Polícia Federal (PF) contra o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi vazada para a imprensa.

O ministro André Mendonça, relator da investigação sobre Lulinha no âmbito das fraudes no INSS, mandou a PF investigar a origem do vazamento dos dados. A determinação atendeu a um pedido da defesa do filho do presidente.

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