Lula comentou sobre câncer de próstata em discurso, e não sobre abuso infantil

PUBLICAÇÕES DISTORCEM DECLARAÇÕES DO PRESIDENTE EM BELÉM; ELE COMPAROU DIFERENÇA ENTRE HOMENS E MULHERES NA BUSCA POR ATENDIMENTO MÉDICO

30 set 2026 - 11h56
Resumo
É enganosa a postagem que afirma que o presidente Lula normalizou o abuso infantil em Belém. O vídeo compartilhado foi descontextualizado e cortou o trecho inicial do discurso, no qual o petista defendia a realização do exame de toque retal para detecção precoce do câncer de próstata. Ao falar que mulher aprende a se cuidar desde jovem, Lula apenas contrapôs a resistência masculina aos exames preventivos à rotina ginecológica feminina, sem fazer qualquer menção ou apologia à pedofilia.

O que estão compartilhando: que o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), proferiu uma fala que "normaliza o abuso infantil" durante comício em Belém, no Pará. O petista disse que "homem não gosta de tomar toque", enquanto "mulher aprende a tomar toque desde pequena".

O Estadão Verifica checou e concluiu que: é enganoso. O vídeo omite o trecho inicial da declaração do presidente, em que ele claramente refere-se ao exame de toque retal, indicado para a detecção do câncer de próstata. Lula comparou a resistência de homens para a realização da consulta, enquanto mulheres, desde o início da puberdade, têm orientação médica para o acompanhamento ginecológico.

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Saiba mais: Não há elementos na declaração de Lula que indiquem incentivo ou normalização da pedofilia, ao contrário do que alegam postagens em redes sociais. Os conteúdos virais omitem o trecho completo em que o petista critica homens que têm preconceito com o exame de próstata.

No dia 28 de setembro, durante comício na capital paraense, Lula iniciou comentários sobre o tema lembrando a morte da mãe, dona Lindu, aos 65 anos, em decorrência de um câncer uterino. "A minha mãe morreu de câncer aos 65 anos de idade, porque naquele tempo as condições de tratamento eram muito precárias", disse.

O presidente continuou o discurso elogiando uma cirurgia de próstata feita por meio da tecnologia de robótica no Sistema Único de Saúde (SUS), no Pará. "E hoje eu vi uma coisa que me orgulha, eu vi uma coisa fantástica, nós hoje fizemos a primeira operação robótica de próstata aqui no estado do Pará e no norte do país", comentou.

Após isso, criticou a resistência masculina para a realização do exame de toque retal. "Por que isso é importante? Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque", disse. Todas as partes do discurso reproduzidas acima foram omitidas nas publicações analisadas.

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A seguir, o presidente continuou com uma comparação entre homens e mulheres na busca por assistência em saúde: "As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele". Veja o discurso completo abaixo.

De fato, as mulheres procuram mais atendimento médico que homens, como mostrou a última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em 2019.

Em nota enviada ao Verifica, a campanha de Lula afirmou que "o presidente obviamente se referiu a exames ginecológicos preventivos que, culturalmente, fazem parte da rotina da saúde da mulher, desde jovem". A nota diz ainda que "o homem, pela predominância de uma cultura ainda machista, resiste a exames urológicos preventivos". A assessoria atribuiu ao "gabinete de ódio bolsonarista" o uso de frases fora de contexto para gerar desinformação.

Indicação de exames

O Ministério da Saúde recomenda a realização do exame de toque retal e do exame de sangue Antígeno Prostático Específico (PSA) para investigar sinais de câncer de próstata. A doença é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens.

Já o exame preventivo do câncer do colo do útero (papanicolau) é recomendado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) para mulheres entre os 25 e 64 anos que já iniciaram atividade sexual.

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A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) indica que a primeira consulta ginecológica deve ser realizada em meninas no início da puberdade, entre 9 e 10 anos.

A entidade médica explica que, no atendimento, são abordados temas como menstruação e sexualidade, de acordo com a idade. O exame ginecológico é apenas externo (vulva, entrada da vagina, abertura do hímen), sem o uso de instrumentos.

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