Flávio pede cassação da chapa de Lula por uso eleitoral de rádio pública

Defesa do senador acusa presidente da EBC de usar programação da Rádio Nacional para a campanha do petista

23 out 2026 - 17h09
Resumo
A campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao TSE a cassação da chapa de Lula por suposto uso eleitoral da Rádio Nacional. A petição requer investigação contra a cúpula da EBC e o apresentador Agostinho Luiz Teixeira, acusado de replicar discursos governistas e atacar propostas do senador em temas como Bolsa Família, meio ambiente e cortes orçamentários. A defesa do parlamentar acusa o presidente de abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação oficiais para se beneficiar no pleito.

BRASÍLIA - A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato de oposição à Presidência, voltou a pedir ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cuêva, a cassação do registro de candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dessa vez, o candidato do PL acusa o petista de uso eleitoral da Rádio Nacional.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o primeiro debate
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o primeiro debate
Foto: Werther Santana/Estadao / Estadão

Na petição, protocolada nesta sexta-feira, 23, também defende investigação contra a presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, e o apresentador do programa "Alô Alô Brasil", Agostinho Luiz Teixeira.

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A defesa de Flávio pede ainda que sejam coletados o contrato do jornalista com a estatal, o roteiro do programa, suas gravações integrais e a relação das emissoras que o transmitiram. O objetivo é que o material seja enviado ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para que seja feita investigação sobre abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação oficiais.

O documento também lista uma série de ocasiões em que Teixeira utilizou os microfones da rádio pública para replicar discurso similar ao da campanha de Lula. Na última terça-feira, 20, ele sugeriu durante a programação da manhã, que, se eleito, Flávio poderia rever o Bolsa Família.

"Então, propor uma regra de transição de em dois anos você tirar as pessoas do Bolsa Família, tá claro pra mim o que tá sendo proposto aqui. [...] É o mesmo procedimento que foi adotado por Jair Messias Bolsonaro. Alguém se escandaliza com isso? Agora, soberanamente, você eleitor decide o que você quer. [...] Tá sendo informado, faltando cinco dias e você vai escolher soberanamente no próximo domingo quem você quer como presidente da República do Brasil."

No mesmo dia, citou o decreto de Lula que antecipou parcelas do benefício social. Também atacou Flávio ao dizer que a política ambiental do senador seria a de "liberar geral" para o desmatamento.

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"Só sobre o Bolsa Família, o importante é que o Governo Federal antecipou os pagamentos do Bolsa Família de outubro [...]. A parcela deste mês será a primeira com o novo piso de R$ 691,00. Segundo o Governo Federal, a antecipação dos pagamentos busca reduzir os impactos do Super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis. [...] O candidato Flávio Bolsonaro ontem no Pará disse que vai liberar geral, hein? Liberar geral as regras aí de preservação do meio ambiente [...] e ele fala disso, né, de liberar, de acabar com os controles de preservação do meio ambiente [...]"

Ele também afirmou que o pacote de R$ 250m bilhões em cortes citado por Flávio impactaria diretamente o Bolsa Família e o orçamento da educação.

"[...] ele fala assim, eu vou abrir minhas contas, vou abrir, pronto, acho que eu tenho medo de abrir as contas, abro mesmo, vou abrir as contas bancárias, vou liberar o sigilo telefônico, [...] e podia explicar de lambuja como é que ele vai cortar R$ 250 bilhões do orçamento do governo federal [...] saber onde vai cortar, né, onde que vai cortar, no Bolsa Família, parece que é, parece que é, na aposentadoria, parece que é também, parece que é, na saúde, tá parecendo também que é e na educação também, se não é, tem que dizer [...]"

A petição cita ainda outros episódios em que a rádio tratou de temas centrais na campanha de Lula, como o fim da escala 6x1, aprovado pelo Congresso com o apoio do Palácio do Planalto. Na programação da Rádio nacional, o apresentador tratou a proposta como "uma das vitrines da campanha do presidente Lula à reeleição".

Há ainda menções elogiosas ao petista ao dizer que "o presidente Lula tem toda razão" em ter assinado medida provisória para proibir apostas e cassinos online. Sobre o mesmo tema, o apresentador afirmou que "no governo Bolsonaro não se fez nada, não havia nenhuma regulamentação".

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