Flávio: Olham para mim enxergando legado de Jair Bolsonaro com outra postura

28 set 2026 - 22h17
Resumo
Candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro afirmou representar o legado do pai, Jair Bolsonaro — hoje inelegível —, mas com postura conciliadora e sem confrontos. Em aceno ao eleitorado religioso após boatos sobre a Padroeira do Brasil, o senador evangélico exibiu a imagem de Nossa Senhora Aparecida e negou desrespeito aos católicos. Ele também acusou Lula de usar o STF como comitê eleitoral e prometeu indicar juízes contrários ao aborto e às drogas caso vença a disputa.

O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira, 28, que busca representar o legado político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas com uma "outra postura". Durante entrevista ao SantoFlow Podcast, Flávio disse considerar que seu perfil pode funcionar como uma alternativa à polarização política no País sem romper com as características do governo do ex-presidente.

"Olham para mim enxergando o legado de Jair Bolsonaro com outra postura", afirmou. Segundo o senador, seu estilo pessoal seria adequado ao atual momento político. "O Flávio é um perfil ideal para o momento que o Brasil está passando, porque eu também não gosto de briga, de fazer campanha com colete à prova de bala", declarou.

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Ao se apresentar dessa forma, Flávio procura associar sua candidatura à herança política do pai e, ao mesmo tempo, marcar uma diferença de estilo em relação ao ex-presidente. Jair Bolsonaro está fora da disputa presidencial de 2026 após ter sido declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prazo contado a partir das eleições de 2022.

A primeira condenação ocorreu em junho de 2023, quando o TSE, por 5 votos a 2, considerou que Bolsonaro cometeu abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante uma reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, em julho de 2022. No encontro, realizado quando Bolsonaro era presidente e candidato à reeleição, ele fez ataques ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas. Para a maioria da Corte, houve uso da estrutura e das prerrogativas da Presidência com finalidade eleitoral.

Em outubro daquele ano, Bolsonaro foi declarado inelegível pela segunda vez, também por 5 votos a 2, por abuso de poder político e econômico durante as comemorações do Bicentenário da Independência, em 7 de setembro de 2022, em Brasília e no Rio de Janeiro. O TSE considerou que houve desvio de finalidade eleitoral no uso de bens, recursos e serviços públicos nos eventos. Como as penas de inelegibilidade não foram somadas, permaneceu o prazo de oito anos contado a partir do pleito de 2022.

Nossa Senhora Aparecida

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Flávio Bolsonaro afirmou que não acredita que sua candidatura corra risco de perder a eleição e disse que adversários ainda devem criar "mentiras" contra ele na reta final da campanha. Evangélico, o senador deu a declaração durante entrevista ao SantoFlow Podcast, programa voltado ao público católico, enquanto mantinha uma imagem de Nossa Senhora Aparecida à sua frente.

"Não tem perigo de a gente perder a eleição. Vão criar mentiras, mas temos projeto de Deus", afirmou. Em outro momento, Flávio declarou: "Eu tenho certeza que Deus está me usando para criar um Brasil melhor".

A aparição com a imagem de Nossa Senhora ocorre após dias de repercussão de que Flávio pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. A controvérsia levou o candidato a intensificar manifestações públicas de respeito à tradição católica. Nesta segunda, antes da entrevista, ele também ergueu uma representação de Nossa Senhora Aparecida durante agenda de campanha no Mercado Municipal de São Paulo.

A participação no SantoFlow também ocorre em meio à reação da campanha ao episódio. Flávio é evangélico e frequenta a Igreja Batista. Diferentemente da tradição católica, denominações protestantes e evangélicas não adotam a veneração de santos e de suas imagens.

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O episódio ganhou peso político na reta final da campanha diante da disputa pelo eleitorado religioso. Desde a semana passada, Flávio nega que tenha proposto retirar o título de Nossa Senhora Aparecida e acusa adversários de disseminarem a informação falsa. Nesta segunda, afirmou que o PT tenta "colocar católicos contra evangélicos".

STF

O candidato do PL à Presidência acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ter transformado o Supremo Tribunal Federal (STF) em um "comitê eleitoral" para interferir nas eleições. Flávio criticou ministros da Corte e afirmou que, se eleito, pretende indicar nomes contrários ao aborto e à descriminalização das drogas.

"Lula transformou o Supremo em um comitê eleitoral para interferir nas eleições", afirmou. O candidato também criticou os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, ambos indicados por Lula ao STF durante o atual mandato.

"Sem os ministros de Lula no STF, o Brasil vive", disse Flávio. O candidato afirmou ainda que Dino teve um voto "carregado de raiva e preconceito" e lembrou a atuação de Zanin como advogado de Lula.

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Flávio também voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes e acusou o magistrado de ter "boicotado" o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de ter tomado decisões que, na avaliação do candidato, favoreceram Lula. Moraes não foi indicado por Lula: chegou ao Supremo em 2017 por indicação do então presidente Michel Temer.

Ao tratar das indicações que faria ao STF, Flávio vinculou a escolha de ministros a pautas caras ao eleitorado conservador. "Vou indicar pessoas que são contra o aborto e contra as drogas. Numa canetada, eles proíbem o aborto e as drogas", afirmou. "É importante votar em presidente que vai indicar ministros do STF a favor da vida", acrescentou.

As críticas de Flávio ao STF também ocorrem em meio a um novo embate envolvendo sua própria campanha. Nesta segunda-feira, Dino reverteu uma decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia determinado a retirada de publicações relacionadas à informação de que Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Dino pediu ainda que o tema seja levado ao plenário do STF.

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