BRASÍLIA - Em meio a um racha interno no PL e ao distanciamento estratégico de diversos aliados, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou impor unidade à sua pré-candidatura ao Planalto. Em transmissão ao vivo nas redes sociais neste sábado, 11, o parlamentar colocou a coesão do partido como condição fundamental para alavancar sua chapa.
Flávio exibiu uma carta escrita à mão - chamada de "Carta aos Brasileiros", assim como a que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou em 2002 - e assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. No texto, ele ordena os apoiadores a "deixar as diferenças e apoiar o nosso pré-candidato Flávio Bolsonaro, meu porta-voz em quem confio".
"O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, violência e empobrecimento", escreveu Bolsonaro na carta lida pelo filho.
Também na carta, o ex-presidente reforça o apoio a Flávio na disputa pela Presidência da República. "Meu pré-candidato, meu porta-voz o qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade. Um afetuoso abraço a todos na certeza de que juntos tudo faremos para a nossa Pátria", afirma o texto.
Flávio disse na live que esteve por duas horas neste sábado com o pai, que o entregou a carta. A mensagem foi lida na transmissão ao vivo no começo da tarde. Ao comentar a carta, Flávio disse que agora é hora de manter a unidade. "Vai pra cima, é hora de acelerar", disse.
A mensagem é uma tentativa direta de silenciar as divergências nos bastidores da legenda e forçar o alinhamento de lideranças que, receosas com o desgaste, têm evitado andar de braços dados com Flávio, seja nas ruas, seja nas redes sociais.
Flávio disse que estabeleceu um "deadline", ou um prazo, para o reagrupamento das tropas. ?A desmobilização de parte da base tem sido um problema. Ao comentar a carta, Flávio disse que há pessoas "que parecem que estão boicotando a candidatura".
"Muitas pessoas que parecem que estão boicotando a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para a rua resgatar o Brasil", disse o pré-candidato.
O parlamentar convocou a militância digital, com foco nas chamadas "tias do zap" e lideranças locais, para romper a inércia. "Vamos vestir essa camisa de verdade. Se ele (Bolsonaro) não desanima, nós não podemos", afirmou.
Ele ainda agradeceu o pai por tê-lo colocado na posição de "porta-voz". "Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes que por ventura alguém possa estar seguindo em paralelo a nossa pré-campanha", disse Flávio.
No mês passado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo com críticas ao enteado em meio a divergências entre os dois sobre a aliança eleitoral no Ceará.
A crise provocada pelo vídeo divulgado levou à renúncia de Michelle da presidência do PL Mulher e ao afastamento de publicações nas redes sociais.
Em uma nova frente de conflito no bolsonarismo, o deputado federal Zé Trovão (PL-SC) disse que Bolsonaro foi "covarde" ao ter permanecido em silêncio após a derrota na eleição presidencial em 2022.
Dois filhos do ex-presidente foram a público criticar a declaração nas redes sociais. O vereador de Balneário Camboriú Jair Renan disse que a acusação "é o cúmulo da canalhice", enquanto o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro passou o dia atacando Trovão em uma sequência de publicações em redes sociais.
Na live deste sábado, Flávio pediu unidade entre o grupo. "Queria aqui mais uma vez pedindo unidade, pedindo que a gente deixe menores diferenças de lado para que a gente possa ter essa unidade e combater o verdadeiro inimigo do Brasil", afirmou.