Flávio Bolsonaro enviou a Richarlison acordo privado sobre ilha em Angra, diz jornal

Segundo jornal O Globo, senador compartilhou informações de negociação fechada pelo advogado Willer Tomaz, que disputa imóvel com o jogador

23 out 2026 - 19h54
(atualizado às 19h59)
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e jogador Richarlison
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e jogador Richarlison
Foto: Estadão

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) enviou ao jogador Richarlison trechos de um acordo privado firmado entre o advogado Willer Tomaz e Renato Velasco, ex-empresário do atacante, envolvendo a disputa pela Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). A informação foi publicada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, nesta sexta-feira, 23. Segundo a reportagem, o senador teve acesso a documentos que não constavam no processo judicial encerrado no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

As informações aparecem em mensagens trocadas pelo Instagram entre março e julho de 2026, cujas capturas de tela foram fornecidas pelo jogador ao jornal. Segundo a reportagem, Flávio encaminhou imagens de trechos do acordo extrajudicial, que, segundo Richarlison, foi fechado por Velasco sem o consentimento dele.

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Os documentos mostram três contas bancárias do ex-empresário, no Itaú, na Caixa Econômica Federal e no Bradesco, para as quais a WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer Tomaz, fez pagamentos relacionados ao acordo. Os valores não aparecem nas imagens. Procurados por O Globo, Flávio, Willer e Velasco não esclareceram quanto foi pago.

Em uma conversa de 1º de julho, o senador pediu que Richarlison divulgasse uma nota pública afirmando que ele não tinha envolvimento na disputa. O jogador respondeu que Velasco havia dito que Flávio ficara com a ilha. O parlamentar negou: "Craque, mentira pura!"

O acordo foi assinado por Velasco em 20 de agosto de 2025. Cinco dias depois, o ex-empresário desistiu da ação judicial. Em 1º de setembro, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do STJ, encerrou o processo, com resultado favorável a Willer Tomaz. Segundo a defesa de Richarlison, o atacante só soube do desfecho posteriormente.

Entenda a disputa pela ilha

Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição e na manutenção da propriedade, comprada em 2020 por meio de uma parceria com Renato Velasco e Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG.

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O jogador voltou a cobrar explicações de Flávio Bolsonaro nas redes sociais. Segundo ele, o senador demonstrou interesse na compra do imóvel antes de a posse ser transferida à empresa de Willer Tomaz. O parlamentar nega ter participado das negociações e não foi parte na disputa judicial.

Willer Tomaz contesta a versão do atacante. O advogado afirma que a empresa ligada ao jogador não adquiriu a propriedade de seus legítimos donos e que a disputa foi encerrada na Justiça em favor de sua empresa.

Na quarta-feira, 21, Richarlison divulgou documentos e números de processos que, segundo ele, comprovam a aquisição da propriedade. O jogador também afirmou que busca recuperar o dinheiro investido.

A Polícia Federal investiga, em outro inquérito, a relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. Segundo O Globo, os investigadores apuram a suspeita de atuação conjunta em um esquema de lavagem de dinheiro. O procedimento tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. As suspeitas ainda são objeto de investigação.

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Fonte: Portal Terra
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