BRASÍLIA - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, pediu nesta quinta-feira, 21, ao presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), a leitura do requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as irregularidades do Banco Master.
Em discurso durante a sessão que analisa vetos presidenciais, Flávio afirmou que "mais do que nunca é necessária" a instalação do colegiado e disse querer a convocação do dono da instituição financeira liquidada, o banqueiro Daniel Vorcaro.
"Eu quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima (ex-sócio de Vorcaro) sentados naquela CPMI, falando qual é a relação que eles tinham com Flávio Bolsonaro, e também qual é a relação que eles tinham com o Lula, qual é a relação que eles tinham com Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer. Eu não tenho nada a esconder", disse o senador.
A manifestação foi feita após o Intercept Brasil revelar que Flávio enviou mensagens a Vorcaro em que pedia dinheiro para o financiamento do filme "Dark Horse", produção que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O pré-candidato também afirmou que parlamentares de esquerda "têm medo dessa CPMI" e comparou o escândalo do Master ao mensalão e à Operação Lava Jato. "Nenhum de vocês assinou. Eu assinei todas, porque não tenho nada a esconder. Porque tem uma grande diferença. Vocês entendem muito de corrupção", disse.
Diferentemente do que disse, porém, Flávio não assinou os requerimentos de CPMI de autoria das deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e de duas CPIs no Senado, de Eduardo Girão (Novo-CE), seu aliado, e de Rogério Carvalho (PT-SE).
Outros dois pedidos de CPMI foram assinador por ele, um de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), e outro do senador Carlos Viana (PSD-MG) - que ainda não foi protocolado.
O senador passou a defender uma comissão parlamentar de inquérito após a divulgação dos diálogos entre ele e Vorcaro na semana passada.
No plenário, ele voltou a se defender sobre o caso do Banco Master, citou as investigações sobre as fraudes nos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e atribuiu o escândalo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As declarações foram feitas em discurso na tribuna do plenário durante sessão conjunta do Congresso Nacional. Flávio estava ao lado de parlamentares aliados, como o líder da Oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), Bia Kicis (PL-DF) e Jordy.
"Escândalo do roubo dos aposentados do INSS. Uma excrescência. Além de roubar a esperança da nova juventude, mais uma vez o governo do PT roubando os nossos aposentados, obrigando descontos nos contracheques de pessoas necessitadas, pessoas idosas", afirmou. "O filho do presidente da República sendo investigado como suspeito de receber o dinheiro dos aposentados do INSS. Esse é um lado. É o lado da corrupção", disse, em referência à apuração da Polícia Federal sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Em seguida, Flávio mencionou as revelações sobre o financiamento do filme. "Do outro lado está o filme do presidente Bolsonaro, que recebeu investimento privado de alguém que na época não tinha absolutamente nada que pudesse desabonar a sua conduta", afirmou.
O senador disse ainda que é preciso "urgentemente" instaurar a CPMI sobre o Banco Master e afirmou que, em vez de se calar, "vai para cima". O parlamentar declarou que quer "libertar o povo brasileiro" para "comprar arroz com feijão sem parcelar no cartão de crédito".
"Não é que eu sou uma pedra no caminho desse projeto de poder do PT, não. Nós, o povo, vamos impedir o projeto de poder aqui neste País, porque a gente vai libertar os brasileiros que hoje estão endividados por causa deste governo. Nós vamos libertar os brasileiros que hoje moram em áreas que são dominadas por narcotraficantes", afirmou. "Vamos libertar o povo brasileiro dessa corrupção absurda."