FAB e Exército: entenda o papel de 3 militares que foram contra a tentativa de golpe de Bolsonaro

Em livro, tenente brigadeiro Carlos Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica, relata que as três forças armadas tiveram seus afazeres desviados durante a gestão do ex-presidente para discutir eleição

18 ago 2026 - 18h13

O tenente-brigadeiro Carlos Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica no governo Jair Bolsonaro, conta no livro Eu disse não: uma trincheira antigolpista (ed. Autêntica, 242 pág), que será lançado em setembro, os papéis da Força Aérea Brasileira e do então comandante do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes, contra o planejamento de golpe de Estado naquele período.

Na obra, Baptista Junior relata que só entre 3 de outubro e 14 de dezembro, os comandantes das três Forças foram chamados 12 vezes ao Ministério da Defesa. Os chefes das três Forças tiveram seus afazeres desviados da caserna para discutir a eleição.

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Aeronáutica

Naquele período, o brigadeiro testemunhou no Palácio da Alvorada o comandante do Exército dizer, após Bolsonaro contar sua intenção de cancelar a eleição e intervir na Justiça:

"Se o senhor fizer isso, vou ter que lhe prender". "Não é uma frase capaz de passar incólume à memória dos que estavam presentes. O ambiente foi imediatamente tomado por raro silêncio", escreveu o brigadeiro, sobre o episódio que ele revelara ao depor no processo do golpe, no Supremo Tribunal Federal (STF).

O ex-comandante da Aeronáutica relata ainda que, entre os dias 3 e 7, a FAB foi excluída de reuniões com o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

Na reunião de 11 de novembro, Baptista Junior reafirmou sua oposição à decretação de Estado de Defesa ou de uma operação de Garantia de Lei e Ordem (GLO) e disse que qualquer dessas hipóteses precisariam ser ratificadas pelo Conselho de Defesa.

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"Sabíamos que não havia base legal sequer para uma GLO e ver essas opções sendo cogitadas para contornar um resultado eleitoral me incomodava profundamente", escreveu.

Exército

Foi depois dessa reunião que Freire Gomes apresentou a Nota Conjunta dos Comandantes divulgada pelo Blog do Fausto, na qual o comandante da Força Terrestre tentava balizar os limites da legalidade.

O documento foi assinado por Garnier e por Baptista Junior, sinalizando uma coesão que já não existiria. Foi após a publicação da nota que Baptista Junior deu o telefonema que definiu, para ele, que o Exército não iria embarcar no golpe.

"Muito preocupado com postura de Bolsonaro e inseguro quanto à coesão do Exército, liguei para o general Sérgio Etchegoyen, com quem desenvolvi uma relação de confiança", revela.

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A ligação durou mais de 45 minutos. O brigadeiro expôs suas preocupações. "Dele recebi a confirmação de que ao menos entre os generais mais antigos do Exército havia uma alinhamento completo com a postura legalista do comandante Freire Gomes. Saber aquilo foi um evento crucial para mim."

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