O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira, 18, que falta ao governo federal conter despesas e "enxugar mais" a estrutura do Estado. A declaração foi feita durante uma avaliação da reforma tributária capitaneada pelo Ministério da Fazenda na gestão de Fernando Haddad (PT), hoje seu principal adversário na disputa pelo governo paulista.
"Falta o exercício de contenção de gasto. Vamos apenas raciocinar pela receita? Vamos ampliar a receita e operar com o maior IVA? Não", declarou durante a plenária de encerramento da 27ª Conferência Anual Santander, no Grand Hyatt Hotel, na capital paulista.
Tarcísio defendeu que a redução das despesas permita a adoção de uma alíquota menor para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que substituirá tributos sobre o consumo. "Está na hora de o Estado brasileiro fazer o seu exercício, de enxugar mais, para que possamos operar com um imposto mais baixo", afirmou.
Ainda assim, ele fez uma ressalva e avaliou que a reforma tributária é positiva para São Paulo por reduzir os efeitos da "guerra fiscal" entre os Estados. Segundo Tarcísio, o governo paulista perdeu receitas ao longo dos anos com a concessão de créditos outorgados, reduções da base de cálculo e outros benefícios destinados a preservar a competitividade.
Na avaliação do governador, o fim gradual desses incentivos permitirá que as empresas considerem fatores como infraestrutura, oferta de energia, capital humano e proximidade do mercado consumidor ao escolher onde investir. Ele salientou que esse movimento tende a favorecer o Estado e decisões empresariais locais.
Tarcísio ponderou, contudo, que a reforma "está longe de ser um produto pronto" e criticou o número de benefícios e exceções incorporados ao novo sistema. "Muita coisa foi discutida de forma açodada, e nos preocupa qual será o tamanho do IVA que vamos ter. Não é razoável operar com o maior IVA do mundo", disse.