Tarcísio diz que tem visão para Brasil diferente da de Lula e cobra ajuste mais 'suave' que de Milei

Governador também disse que o Propag foi iniciativa dos governadores do Sul e Sudeste

18 ago 2026 - 18h24
(atualizado às 18h51)

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) participou nesta terça-feira, 18, da conferência anual do banco Santander em um hotel na capital paulista. Apesar de ser candidato à reeleição, ele afirmou que tem uma visão diferente da do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Brasil e manifestou preocupação que a trajetória da dívida pública federal na gestão petista prejudique o crescimento do País, atrapalhando também o desenvolvimento de São Paulo.

"A gente não tem uma visão convergente de Brasil", respondeu Tarcísio, ao ser questionado sobre seu relacionamento com o governo federal. Ele acrescentou que esse é um "ano bom" para cobrar um projeto de País.

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"Ninguém tá pedindo o ajuste fiscal do Milei, de 15% do PIB. A gente não precisa disso. Um ajuste muito mais suave joga a trajetória da nossa dívida para baixo e resolve o nosso problema. É uma explosão de capital que vai chegar aqui", afirmou ele, acrescentando que se o Brasil não cuidar das contas públicas vai tomar um tombo "daqui a pouquinho".

Tarcísio de Freitas participa de evento promovido pelo banco Santander
Tarcísio de Freitas participa de evento promovido pelo banco Santander
Foto: Pedro Augusto Figueiredo/Estadão / Estadão

O governador também disse que a última vez que o Brasil conseguiu estabelecer uma "visão consensual" foi com o Plano Real para combater a hiperinflação. Desde então, segundo ele, a política virou um "grande bang-bang" e os partidos políticos e as instituições se desorganizaram, dificultando um planejamento para o futuro.

Ele defendeu que a "luz no fim do túnel" passa por liderança política, responsabilidade fiscal e segurança jurídica, mas que é preciso deixar "certas visões de lado e olhar com pragmatismo".

Tarcísio, então, narrou a negociação com o governo Lula para conseguir iniciar a obra do túnel Santos-Guarujá - o presidente aceitou a proposta do governador para que o Estado fosse o poder concedente de forma a agilizar o início da obra. O governador disse que participaria novamente do evento com o presidente no Porto de Santos, quando foi vaiado, para que a obra saísse.

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"Quanto mais rápido a gente fizer, mais rápido a gente inicia a obra. E aí o senhor[ Lula] bota na propaganda, diz que fez, não importa. Se quiser carimbar como obra do PAC, colocar três estrelas vermelhas na entrada do túnel, não vai fazer diferença nenhuma para nós. Ele chegou e disse: 'você tem razão, vamos fazer'. E eu disse: já que tem que fazer, chama os anjos que você tem aí porque se não vai morrer no primeiro escaninho", disse Tarcísio.

Em seguida, o governador foi aplaudido pela plateia, formada majoritariamente por agentes do mercado financeiro, quando lembrou um questionamento de Fernando Haddad (PT) no último debate. "Outro dia alguém falou no debate 'ah seu grupo ideológico. A minha ideologia são as pessoas. É resolver o problema do povo", disse Tarcísio.

Embora a situação nacional tenha ocupado a maior parte da fala de Tarcísio, e ele tenha feito críticas à gestão petista, o governador não citou o senador Flávio Bolsonaro (PL), o candidato a presidente apoiado por ele.

Mais cedo, em entrevista à Record, o governador afirmou que vai tentar deixar a discussão nacional de lado e falar de São Paulo durante a campanha eleitoral.

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No evento, Tarcísio atribuiu nesta terça-feira, 18, aos governadores do Sul e do Sudeste a criação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Segundo ele, o grupo apresentou a proposta ao Senado e convenceu o Ministério da Fazenda, então comandado por Fernando Haddad (PT), hoje seu principal adversário na disputa pelo governo paulista, da necessidade de renegociar as dívidas estaduais com a União.

"Foi uma iniciativa dos governadores do Sul e do Sudeste, que apresentaram uma proposta ao Senado e convenceram a própria Fazenda de que isso era importante, porque, se São Paulo vai bem, o Brasil vai bem", declarou Tarcísio durante a plenária de encerramento da 27ª Conferência Anual Santander, no Grand Hyatt Hotel, na capital paulista.

O Propag foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em janeiro de 2025 e criou novas condições para o pagamento das dívidas dos Estados com a União. Ao abordar o programa, Tarcísio afirmou que o débito paulista apresentava condições "desarrazoadas" e que a renegociação ajudou a abrir espaço no orçamento estadual.

O governador disse considerar "arrumadas" as contas públicas de São Paulo e afirmou que a dívida do Estado segue uma trajetória de queda em relação à receita corrente líquida. Segundo ele, os investimentos estaduais passaram de uma média anual entre R$ 8 bilhões e R$ 12 bilhões para cerca de R$ 30 bilhões a R$ 32 bilhões.

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Tarcísio atribuiu o aumento da capacidade de investimento a medidas como reforma administrativa, extinção de oito empresas públicas, privatizações, concessões e programas de transação tributária. O governador afirmou ainda que sua gestão contratou quase R$ 400 bilhões em investimentos privados, ante uma projeção inicial de R$ 220 bilhões.

Apesar de avaliar positivamente a situação paulista, Tarcísio manifestou preocupação com as contas da União e disse que a responsabilidade fiscal no âmbito nacional representa um desafio para os governos estaduais. Segundo ele, a mudança no perfil da dívida pública federal pode pressionar o câmbio, a inflação e os juros.

"Não adianta imaginar que vamos fazer todo esse ajuste e caminhar independentemente do Brasil. Dependemos do Brasil; o Brasil tem que ir bem", afirmou. Na avaliação do governador, uma piora do cenário fiscal pode colocar o País em uma "trajetória descendente" e, eventualmente, provocar uma recessão.

Tarcísio disse que as incertezas nacionais e internacionais já levam investidores a adiar decisões e fazem o próprio governo paulista segurar projetos à espera de condições mais favoráveis. Uma eventual retração econômica, acrescentou, afetaria a arrecadação estadual e poderia dificultar o cumprimento de compromissos futuros.

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