Ex-governador Cláudio Castro viajou a jogo do Flamengo em avião ligado a Vorcaro, diz TV

Além de Castro e da esposa, também viajavam o advogado Willer Tomaz, o senador Weverton Rocha e familiares

11 abr 2026 - 19h19
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), esteve no Peru com familiares e convidados para acompanhar a final da Libertadores, em novembro de 2025, em uma aeronave operada pela empresa Prime que, conforme apontam os relatórios da Polícia Federal, integra uma rede de corrupção ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. As informações foram divulgadas pela GloboNews.

A bordo estavam 12 passageiros. Além de Castro e da ex-primeira-dama do Rio de Janeiro, também viajavam o advogado Willer Tomaz, o senador Weverton Rocha e familiares. O voo ocorreu em 28 de novembro do ano passado, na véspera da partida entre Flamengo e Palmeiras.

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Castro nega qualquer relação entre a viagem e os investimentos realizados por seu governo no Banco Master. O RioPrevidência, responsável pela gestão de aposentadorias e pensões de servidores estaduais, aplicou cerca de R$ 1 bilhão em CDBs da instituição ligada a Vorcaro. A operação foi considerada de alto risco e teria contrariado recomendações técnicas. O então presidente do órgão, Deivis Marcon Antunes, encontra-se preso.

Durante a mesma gestão, a Cedae, companhia de saneamento do estado, também destinou aproximadamente R$ 200 milhões ao Banco Master.

Voo para ver a Libertadores

A empresa Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços Ltda, responsável pela gestão de helicópteros e aeronaves, tem entre seus sócios Arthur Martins de Figueiredo. Investigações apontam que Vorcaro também teria participação indireta na companhia por meio de fundos de investimento.

Registros da Polícia Federal indicam ainda que Arthur atuou como diretor em fundos ligados à gestora Trustee DTVM. Ele foi alvo de operação em agosto de 2025, quando teve o celular apreendido. Mensagens extraídas do aparelho sugerem, segundo os investigadores, que o verdadeiro beneficiário das operações financeiras seria Daniel Vorcaro -- versão contestada pelas defesas envolvidas.

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Castro afirma não conhecer Arthur e diz que a viagem foi intermediada pelo advogado e amigo Willer Tomaz. "Nunca ouvi falar desse Arthur. Para mim, o dono do avião é Willer", disse o político, segundo a GloboNews. O ex-governador declarou ainda conhecer Vorcaro apenas de eventos internacionais, sem qualquer tratativa sobre o RioPrevidência.

"Nem com o presidente da RioPrevidência eu falava sobre o tema. Ele tinha autonomia. Eu só tive com Deives duas vezes", acrescentou Castro. Ele foi responsável pela nomeação de Deivis, mas afirma não lembrar dos detalhes da indicação. Segundo fontes do Palácio, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, teria participado do processo. "Posso ter consultado o Rueda, mas não foi ele. Eu tinha 500 indicações", disse.

Já o advogado Willer Tomaz confirmou ser cliente da Prime, responsável pela gestão da aeronave, mas negou conhecer Arthur ou Vorcaro. Ele afirmou ainda atuar em processos contra o Banco Master. "Aliás, estou vendendo minhas cotas na Sociedade de Propósito Específico, dona da aeronave, por conta dessa exposição da Prime".

O senador Weverton não retornou aos contatos feitos pela GloboNews.

As investigações da Operação Quasar apontaram a relação entre o sócio da Prime Táxi Aéreo e Vorcaro em esquemas de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e fraudes no setor de combustíveis. Com o avanço das apurações envolvendo o Banco Master, os elementos foram compartilhados com a equipe da Polícia Federal responsável pelo caso. O processo já chegou ao Supremo Tribunal Federal e está sob relatoria do ministro André Mendonça.

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Fonte: Portal Terra
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