Esquerda viraliza história falsa de apoio de Flávio a tirar de N. S. Aparecida título de 'padroeira'

Origem foi informação errada veiculada pela GloboNews e corrigida, horas depois, pela emissora. Apoiadores de Lula ampliaram alcance da narrativa de que candidato do PL apoiaria projeto arquivado em 2008. 'Nem projeto existe. Milícia do PT se ocupou de espalhar essa mentira', disse Flávio Bolsonaro

25 set 2026 - 17h51
(atualizado às 18h31)
Resumo
Apoiadores de Lula viralizaram a informação falsa de que Flávio Bolsonaro apoiaria retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O boato surgiu de um erro da GloboNews, que depois se desculpou, ao citar um projeto arquivado em 2008 como se fosse atual. O tema repercutiu amplamente nas redes, sendo endossado por Geraldo Alckmin e desmentido veementemente por Flávio, gerando mais engajamento do que outros debates políticos recentes.

Apoiadores do presidente Lula viralizaram, a partir da noite de quinta-feira, 24, uma história falsa de que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apoiaria um projeto para retirar de Nossa Senhora de Aparecida o título de "padroeira do Brasil". A origem foi uma informação divulgada pelo programa Em Pauta, da GloboNews, na própria quinta-feira, de que a Igreja Católica estaria preparando uma reação a uma suposta mobilização de evangélicos em torno do projeto e que isso poderia "surtir efeito, entre os católicos, a favor de Lula". Horas depois, a própria emissora veiculou uma correção, dizendo que a proposta havia sido apresentada na Câmara dos Deputados em 2007 e arquivada em 2008. "Nós pedimos desculpas pelo erro", encerrava a nota exibida pelo canal.

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Ao longo da sexta-feira, 25, o vice-presidente Geraldo Alckmin fez uma postagem endossando o discurso. Sem mencionar Flávio Bolsonaro, disse ter recebido inúmeras mensagens de católicos preocupados com os rumos do País e com informações que estavam circulando desde a quinta-feira.

"Enquanto eu e o presidente Lula governarmos o Brasil, as tradições religiosas tão sagradas para as famílias brasileiras estarão protegidas, preservadas. O Brasil é um país que tem respeito por todas as religiões", disse Alckmin, também candidato à reeleição.

Flávio Bolsonaro desmentiu duas vezes o episódio. A primeira, assim que a história falsa começou a circular.

"É uma mentira que eu teria apoiado algum projeto que fosse retirar Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Eu jamais faria isso. Essa foi uma fake news. Nem projeto existe. Mas a milícia do PT se ocupou rapidamente [de] espalhar essa mentira", afirmou, ainda antes da correção feita pela GloboNews.

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Depois, apontou o que seria uma aproximação com interesse eleitoral de Lula ao catolicismo. Também disse que não é papel do Estado "se meter na igreja como o Lula faz".

"Eu sempre respeitei todas as religiões. Todos sabem que eu sou cristão, que eu sou evangélico, mas que eu respeito todas as religiões. Agora, não dá pra vocês acreditarem que o Lula virou cristão agora, né? É sempre a cada quatro anos ele vira cristão e frequenta igreja", afirmou.

Caso teve mais menções do que quebra de sigilo do Dark Horse e proibição das bets

De acordo com o levantamento do Instituto DX, o debate nas redes sociais se deu em torno de quatro eixos, sendo que três deles foram dominados por perfis de esquerda. O suposto apoio de Flávio Bolsonaro ao projeto de retirada do título da Padroeira teve 53% das menções, sendo 80% de perfis de esquerda. A articulação atribuída aos evangélicos em torno da proposta gerou 20% das postagens sendo 88% da esquerda. Outros 11% dos posts (78% de esquerda) relembravam um tumulto causado por bolsonaristas no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, durante visita do então presidente Jair Bolsonaro, no 12 de outubro de 2022.

O único eixo do debate de redes dominado por apoiadores de Flávio Bolsonaro foi o que o candidato negava o apoio ao projeto e criticava a informação da Globonews. Foram 20% dos posts, sendo 96% de perfis de direita. Este eixo ganhou tração após a emissora pedir desculpas e dizer que errou.

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As 397,2 mil menções nas primeiras 17 horas superam as 24 horas iniciais de outros debates políticos dos últimos 12 meses, de acordo com o DX. A recente quebra de sigilo do caso Dark Horse, em 10 de setembro, por exemplo, teve 340 mil menções. A decisão de Lula de proibir as bets (17/9), motivou 235,4 mil. A operação contra o ex-líder do governo Jaques Wagner, por envolvimento no caso Master, 177,1 mil. E o desentendimento entre Michelle e Flávio Bolsonaro (24 de junho), 117,3 mil.

Projeto foi arquivado em 2007 por 'total falta de amparo constitucional'

O projeto em questão foi apresentado pelo então deputado federal mato-grossense Victório Galli (filiado à época ao MDB) em dezembro de 2007. A proposta pretendia alterar trechos da lei que criou o feriado de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro. Uma das mudanças seria a da expressão "padroeira do Brasil", que passaria a ser grafada como "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". O projeto foi arquivado em agosto de 2008, por recomendação do relator do texto na Comissão de Educação e Cultura, o então deputado Átila Lira. Segundo o parlamentar, a alteração pretendida pelo colega tinha "total falta de amparo constitucional".

O projeto voltou a circular nas redes sociais a partir da noite de quinta-feira, como se ainda estivesse em tramitação.

Bolsonaro foi alvo de desinformação sobre Nossa Senhora

Em outubro de 2022, durante a campanha presidencial, uma montagem, simulando o perfil de Jair Bolsonaro, atribuía ao então presidente e candidato à reeleição a intenção de acabar com o feriado de Nossa Senhora Aparecida. Segundo a agência de checagem Aos Fatos, a publicação nunca existiu.

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