Apesar de os líderes ao Senado por SP — Simone Tebet, Marina Silva e Guilherme Derrite — prometerem cumprir seus mandatos, a ida frequente de titulares a ministérios coloca em foco seus suplentes: Laio Morais, Djalma Nery e Vicente Santini. A prática é comum no país e já levou diversos substitutos a exercerem mandatos quase integrais, revelando o peso estratégico de nomes como Fernando Godoy, Frederico d'Ávila, Fábio Lopes e Luciana Félix nas demais chapas da disputa estadual.
Os sete principais candidatos ao Senado por São Paulo se comprometeram, em entrevista ao Estadão, a cumprir integralmente o mandato de oito anos caso sejam eleitos. No entanto, não é incomum que os mandatos de senadores sejam exercidos pelos suplentes após os titulares assumirem cargos em ministérios.
Neste ano, as principais apostas ao Senado por São Paulo se concentram em três nomes, que lideram as pesquisas: as candidatas Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), que eram ministras do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até março, e o candidato Guilherme Derrite (PP). Ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, ele é aliado de Flávio Bolsonaro (PL) e poderia ocupar um cargo semelhante em um eventual governo do bolsonarista.
Os três "ministeriáveis" garantem que não largarão os mandatos. Marina disse que terminou seu ciclo como ministra do Meio Ambiente, enquanto Tebet afirmou que recusará convites para disputar outros cargos, assim como fez quando foi senadora pelo Mato Grosso do Sul. Já Derrite declarou que seu objetivo é cumprir os oito anos de mandato, atuar como base de Flávio Bolsonaro no Senado e ajudá-lo a aprovar as reformas que considera necessárias ao País.
A movimentação do Senado para um ministério é relativamente comum: em 2023, os primeiros suplentes dos recém-eleitos Flávio Dino, então no PSB do Maranhão, Renan Filho (MDB-AL) e Wellington Dias (PT-PI), se tornaram senadores após os titulares serem chamados para compor a equipe do governo Lula. Carlos Fávero (PSD-MT) estava no meio do mandato de senador quando aceitou chefiar o Ministério da Agricultura petista.
Atualmente, um dos senadores por São Paulo é Giordano (Podemos). Primeiro suplente, ele assumiu a titularidade após a morte de Major Olímpio em 2021, em decorrência de complicações causadas pela covid-19.
Se o senador aceitar convite para ocupar outro cargo, quem assume o mandato é o primeiro suplente. Existe ainda um segundo suplente, que eventualmente substitui o primeiro.
Quem são os suplentes dos candidatos ao Senado de São Paulo?
Na chapa de Tebet, o suplente imediato é o advogado Laio Morais (PT). Ele foi chefe de gabinete de Fernando Haddad (PT) no Ministério da Fazenda e agora coordena a campanha do candidato ao governo de São Paulo. Laio se aproximou de Haddad por ser amigo do filho do ex-ministro Frederico Haddad. O segundo suplente é o ex-prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri (PDT).
Vereador de São Carlos (SP) cumprindo o segundo mandato, Djalma Nery (PSOL) é o primeiro suplente de Marina. Assim como a ex-ministra, sua principal pauta é a preservação do meio ambiente. O outro suplente é o sindicalista Antonio Neto (PDT). Ele foi candidato a senador em 2018, a vice-prefeito de São Paulo na chapa de Márcio França (PSB) em 2020 e a deputado federal em 2022. Não foi eleito em nenhuma das tentativas.
Derrite escolheu Vicente Santini (Republicanos) como primeiro suplente. Advogado, ele ocupou cargos de segundo escalão no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nos últimos anos, atuou como chefe do escritório do governo de São Paulo em Brasília, realizando a interlocução entre a administração paulista e o governo federal. A segunda suplência ficou com Julio Serson (PP), empresário do ramo hoteleiro.
Também à direita, o primeiro suplente do candidato André do Prado (PL) é Fernando Godoy (PL), ex-prefeito de Holambra, no interior de São Paulo. Prado havia chegado a anunciar que seu primeiro suplente seria o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), mas o filho "03" de Jair, foragido nos EUA, desistiu da candidatura.
Godoy é réu por corrupção. Segundo a acusação, o então prefeito de Holambra teria oferecido vantagem indevida a um vereador de Mogi Guaçu, filho do então prefeito da cidade, para que ele usasse sua influência sobre a administração do pai para fazer o Executivo local priorizar o pagamento de uma dívida. A denúncia contra Godoy foi aceita pela Justiça, mas ainda não houve veredicto.
A chapa de André do Prado é completada por Rute Costa (PL), vereadora de São Paulo desde 2017, onde emendou três mandatos consecutivos. Ela é filha de José Wellington Bezerra da Costa, líder da denominação evangélica Assembleia de Deus.
O primeiro suplente de Ricardo Salles (Novo) é Frederico d'Ávila (Novo), ex-deputado estadual por São Paulo e empresário do agronegócio. Filiado ao Novo, ele foi incluído na chapa de Salles como substituto do empresário Marcos Alcântara Machado. Essa é a terceira eleição que ele disputa. Além do pleito que o levou à Alesp, em 2018, quando concorreu pelo PSL de Jair Bolsonaro, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL em 2022. Nestas eleições, havia inicialmente registrado uma candidatura a deputado estadual. O segundo suplente de Salles é o policial militar Roberto Carlos Ferreira (Novo).
Soninha Francine (Cidadania) montou uma chapa com dois políticos do ABC Paulista. O primeiro substituto é o vereador de Santo André Fábio Lopes (Cidadania). Ele concorreu em todas as eleições municipais desde 2012, sendo vitorioso em 2016 e 2024. Segundo suplente da chapa, Alan Gomes (Cidadania), conhecido como "Shell Gomes", é vereador de São Bernardo do Campo. Ele concorreu ao cargo em 2016, pelo Solidariedade, em 2020, pelo PSD, e em 2024, no Cidadania. Elegeu-se apenas no último pleito.
A primeira suplente do candidato Geraldo Rufino (Podemos) é Luciana Félix (Podemos), empresária e primeira-dama de Limeira, no interior de São Paulo. Ela é esposa de Murilo Félix (Podemos) prefeito do município desde 2025. Antes, Murilo foi deputado estadual de São Paulo (2019-23). Esta é a primeira eleição que Luciana disputa. Ela entrou na chapa de Rufino como substituta da empresária Ana Estima.
O segundo suplente é Jason Albuquerque (Podemos), de 38 anos, empresário do ramo editorial. Ele é dono da Editora Napoleon Hill, do nicho de livros de autoajuda. Assim como a companheira de suplência, é o primeiro cargo eletivo ao qual ele concorre.
Suplente recorde é senador mineiro
O suplente que exerceu por mais tempo o mandato de senador é o mineiro Zezé Perella. Ele assumiu o cargo em julho de 2011, após a morte do ex-presidente Itamar Franco, então senador pelo PMDB de Minas Gerais, e ficou no Senado até 2019.
O ex-deputado distrital Gim Argello (PTB), suplente de Joaquim Roriz, figura no segundo lugar entre os substitutos com mais tempo na função. Empossado senador pelo Distrito Federal em fevereiro de 2007, Roriz renunciou ao cargo em julho daquele ano, buscando evitar uma cassação por formação de quadrilha e desvio de dinheiro público. Com a renúncia, Argello, seu primeiro suplente, assumiu o cargo e permaneceu no Senado até 2015, acumulando sete anos e seis meses à frente do mandato.