A eleição de 2026 caminha para registrar o menor número de debates presidenciais na TV no 1º turno desde 1998, podendo ter apenas dois encontros. A escassez decorre da recusa dos líderes das pesquisas, Lula e Flávio Bolsonaro, em comparecer aos programas, o que já provocou cancelamentos no SBT e na Record. Até o momento, apenas a Band realizou o embate, restando somente a previsão do evento da TV Globo. A estratégia repete a postura adotada por Lula em 2006 e por FHC em 1998.
A eleição de 2026 deve ter o menor número de debates televisionados no primeiro turno, desde 1998, entre candidatos à Presidência. Até o momento, a única emissora de televisão que reuniu postulantes ao Palácio do Planalto foi a Band, em parceria com o Estadão.
Também é a primeira vez em 28 anos que os dois candidatos na liderança das pesquisas não comparecem a nenhum embate de candidatos à Presidência na televisão, a dez dias do pleito.
Com o cancelamento do encontro da Record que aconteceria no próximo domingo, tudo indica que a corrida só tenha mais um compromisso com os presidenciáveis: o da Globo, marcado para quinta-feira, 1º de outubro, a três dias do primeiro turno. Antes do canal 7, o SBT também já havia cancelado o compromisso que anunciou para 14 de setembro.
A escassez de encontros se deve à escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) de não comparecer aos debates. Desde o início da campanha, Lula indicou que se ausentaria dos confrontos marcados para antes do segundo turno. Na sequência, o filho mais velho de Jair Bolsonaro condicionou sua presença à ida do presidente da República.
O cenário pode igualar o número de encontros de 2006 e coloca as eleições deste ano atrás da disputa de quatro anos atrás, quando houve três debates de presidenciáveis no primeiro turno. Na última corrida ao Planalto, assim como o ex-presidente Bolsonaro, Lula compareceu apenas aos debates da Band e da Globo ? o primeiro e o último, respectivamente.
Há 20 anos, quando buscava a reeleição, o petista adotou a mesma estratégia de agora, de não ir aos debates, e levou a TV Gazeta a cancelar o confronto de presidenciáveis que realizaria. Geraldo Alckmin (à época no PSDB), criticou a postura de Lula nos debates da Band e da Globo, ao lado de Heloísa Helena (à época no PSOL) e Cristovam Buarque (à época no PDT).
Debates televisionados de primeiro turno | 1989 a 2022
- 1989: 7
- 1994: 4
- 1998: 0
- 2002: 4
- 2006: 2
- 2010: 6
- 2014: 5
- 2018: 7
- 2022: 3
- 2026: 1 (pode chegar a 2)
Em 2018, Bolsonaro foi aos dois primeiros debates na televisão, organizados pelas emissoras Band e RedeTV!. Devido ao atentado à faca que sofreu em Juiz de Fora (MG), o então deputado federal não compareceu a nenhum outro embate, nem no primeiro e nem no segundo turno. O ex-capitão do Exército foi eleito presidente do Brasil com 55% dos votos, contra 45% de Fernando Haddad (PT).
Só a eleição de 1998 supera as marcas de 2026. Naquele ano, o então presidente Fernando Henrique Cardoso se negou a ir aos debates. Com isso, não foram realizados encontros de candidatos à Presidência. FHC foi reeleito em primeiro turno.
Neste ano, também foram realizados debates em plataformas digitais, como no caso dos videocasts Inteligência Ltda, em parceria com o portal Metrópoles, e do Flow. Mesmo diante da possibilidade de atingir outros nichos do eleitorado na internet, Lula e Flávio mantiveram a postura de recusar os convites.