O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Donald Trump se reúnem nesta quinta-feira, 7, na Casa Branca, em Washington. A expectativa é que o encontro seja marcado por discussões sobre comércio, segurança, geopolítica e economia.
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A reunião ocorre em um momento de desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos, após a imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades do país. Segundo integrantes dos dois governos, pelo menos cinco temas devem dominar as conversas.
Facções criminosas e segurança
Um dos principais assuntos da reunião será o combate ao crime organizado. O governo dos EUA avalia classificar facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas.
Integrantes do governo Trump defendem a medida como forma de ampliar mecanismos de combate internacional ao crime. O governo brasileiro, porém, tenta evitar essa classificação.
A avaliação do Palácio do Planalto é que a mudança poderia abrir espaço para ações mais duras dos EUA e ampliar a interferência americana em temas de segurança pública no Brasil. Lula deve defender maior cooperação bilateral, mas sem enquadrar as facções na legislação antiterrorismo.
Pix e economia
O sistema de pagamentos Pix também estará na pauta. O governo americano investiga práticas comerciais brasileiras e avalia se o modelo adotado pelo Banco Central prejudica empresas americanas do setor financeiro e de pagamentos digitais.
Os EUA argumentam que o Pix pode criar desvantagens competitivas para operadoras de cartão e empresas de tecnologia. O governo brasileiro nega qualquer irregularidade e afirma que o sistema é aberto a empresas estrangeiras.
A expectativa é que Lula tente convencer Trump a não transformar a investigação em novas medidas comerciais contra o Brasil.
Guerra, Venezuela e posições internacionais
Os dois presidentes também devem discutir conflitos internacionais e política externa. Brasil e Estados Unidos têm adotado posições diferentes em temas como os conflitos na Venezuela, Irã e a atuação militar americana.
Lula tem criticado intervenções unilaterais e defendido soluções negociadas por meio de organismos internacionais, enquanto Trump ampliou a pressão contra governos considerados adversários dos EUA.
A situação da Venezuela e o cenário humanitário em Cuba também podem entrar na conversa.
Terras raras e minerais estratégicos
Outro tema previsto é a exploração de minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para tecnologia, inteligência artificial e transição energética.
O Brasil possui grandes reservas desses minerais e tenta ampliar investimentos no setor sem perder controle sobre a exploração. Os Estados Unidos buscam reduzir a dependência da China nesse mercado e ampliar parcerias internacionais.
O governo brasileiro defende acordos com transferência de tecnologia e maior participação da indústria nacional nas cadeias produtivas.
Eleições e relação diplomática
Nos bastidores, auxiliares de Lula afirmam que o presidente também pretende discutir o cenário político brasileiro e buscar um compromisso informal de não interferência americana nas eleições de outubro.
O governo brasileiro teme aproximações entre integrantes da gestão Trump e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula quer evitar manifestações ou ações que possam ser interpretadas como apoio político externo durante o processo eleitoral brasileiro.
Além da agenda bilateral, o encontro é visto pelo Planalto como uma tentativa de reforçar a imagem internacional de Lula em meio a dificuldades políticas internas.