Empresa de Toffoli usou ‘CNPJ de prateleira’ e estratégia que agiliza sociedade anônima, diz jornal

Procedimento feito pelo ministro é buscado por pessoas que têm pressa na abertura de empresas, pois elimina prazos e burocracias bancárias

13 fev 2026 - 07h29
(atualizado às 07h55)
Em nota divulgada na quinta-feira, 12, o magistrado admitiu que é sócio da empresa que tinha participação em dois resorts da rede Tayayá
Em nota divulgada na quinta-feira, 12, o magistrado admitiu que é sócio da empresa que tinha participação em dois resorts da rede Tayayá
Foto: Divulgação/STF

A Maridt Participações, empresa da qual o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu ser sócio, foi aberta a partir de um “CNPJ de prateleira” criado dois meses antes por uma firma especializada em abrir e transferir empresas, segundo informações do advogado e empresário André Luis Fonseca Sérgio repassadas ao jornal O Estado de S.Paulo.

Segundo o empresário, o procedimento feito por Toffoli é buscado por pessoas que têm pressa na abertura de empresas, pois elimina prazos e burocracias bancárias. Também evita que os novos donos tenham que ir pessoalmente a uma agência bancária.

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Em 24 de agosto de 2020, Fonseca Sérgio e um sócio abriram a empresa Plataforma 27S Participações. Exatos 42 dias depois, a 5 de outubro, a firma foi rebatizada e transferida para José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro. Em 10 de dezembro, a Maridt virou sócia de empresas do resort Tayayá, no Paraná. 

A transferência da empresa de André Luis Sérgio para os irmãos Toffoli foi registrada na Junta Comercial de São Paulo em 21 janeiro de 2021. Em setembro daquele ano, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, comprou parte da cota dos Toffoli nos negócios do resort.

Toffoli confirma ser sócio de empresa que negociou com Master, mas nega ‘amizade’ com Vorcaro
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Toffoli admite ser sócio de negócio

Em nota divulgada na quinta-feira, 12, o magistrado admitiu que é sócio da empresa que tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. O nome dele não aparecia na documentação pública pois trata-se de uma Sociedade Anônima, prevista em lei, e apenas os irmãos dele seriam os gestores.

Como mostrou o Estadão, a cunhada de Toffoli, Cássia Pires Toffoli, mulher de José Eugênio, negou que o marido tivesse sido proprietário do empreendimento e disse desconhecer que a residência onde mora fosse a sede da empresa. A empresa está registrada na casa onde ela mora, em Marília, interior de São Paulo. 

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Na nota divulgada na quinta, Toffoli afirmou que, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, não há impedimento para que juízes integrem o quadro societário e recebam dividendos de empresas, desde que não exerçam a administração. 

Caso Master 

Toffoli era o responsável pelo processo que investiga suposta fraude bancária de Vorcaro e do Master até a noite de quinta-feira, 12. Ele deixou o caso e confirmou sua ligação com a Maridt depois que a Polícia Federal indicou a suspeição dele como relator do caso. 

Os investigadores encontraram menções ao ministro no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Master, e as levaram ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. 

Toffoli, ainda na relatoria do caso, havia proferido decisão em que determinou à PF que encaminhasse ao STF, 'na íntegra, o conteúdo dos aparelhos e de outras mídias que foram apreendidos' e também laudos periciais já produzidos sobre o material e outros elementos de prova documentados.

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Com a saída de Toffoli, o ministro André Mendonça foi sorteado como o novo relator das apurações envolvendo o Master. Ele receberá todas as provas e atos relacionados ao processo.

Outros negócios

Além da unidade do Tayayá em Ribeirão Claro (PR), a Maridt também foi sócia de um segundo resort da rede em Porto Rico (PR) ao lado do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho. Trata-se de um empreendimento que ainda está em obras e já vendeu mais de R$ 200 milhões em cotas de casas e apartamentos.

Parte dos compradores acionou a Justiça paranaense para reaver o dinheiro. A queixa é que o projeto original foi alterado depois que o Ministério Público apontou que parte dos edifícios seriam erguidos dentro de uma Área de Preservação Permanente (APP).

A Maridt, da qual Dias Toffoli é sócio, teve ações desse segundo resort desde sua criação em 2021 até fevereiro de 2025. A empresa de Ratinho participou da fundação e se retirou do projeto em maio de 2024.

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Procurado pelo Terra por meio do STF para comentar a estratégia de abertura da empresa, Toffoli não se manifestou. A reportagem não conseguiu contato com os irmãos dele. 

Fonte: Portal Terra
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