Dino derruba sigilo de ação sobre o filme 'Dark Horse'

Mais cedo, PF deflagrou uma operação para investigar o desvio de recursos de emendas parlamentares para o financiamento do filme

10 set 2026 - 12h10
(atualizado às 12h38)
O ministro Flávio Dino
O ministro Flávio Dino
Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Flávio Dino tirou nesta quinta-feira, 10, o sigilo da ação sobre o filme Dark Horse, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Mais cedo, a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar o desvio de recursos de emendas parlamentares para o financiamento do filme.

Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão da operação estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora de Dark Horse, Karina Gama, dona da Go UP Entertainment Ltd, além de outras 20 pessoas. No total, estão sendo cumpridos 49 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. A operação não tem mandados de prisão. O Terra busca contato com as defesas de Frias e Karina sobre o caso. 

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As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), um dia após o magistrado ter protagonizado mais um capítulo da crise na Corte, ao derrubar a decisão do colega André Mendonça sobre o afastamento do diretor da PF, Andrei Rodrigues. O argumento de Dino é de que as investigações do caso Dark Horse, entre outras, seriam prejudicadas com a ordem de Mendonça. 

A operação de hoje é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e foi batizada de "Make Up".

As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendido até julho deste ano, conforme a PF.

De acordo com a corporação, levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado.

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Estão sendo investigados os seguintes crimes:

  • peculato;
  • falsidade documental;
  • lavagem de dinheiro;
  • organização criminosa; e
  • crimes licitatórios.

Compartilhamento de dados

Em agosto, Dino autorizou o compartilhamento de dados da Polícia Civil de São Paulo com a PF dos dados apreendidos na operação que atingiu Karina Gama.

A própria PF pediu acesso ao material para ampliar as investigações sobre suspeitas de desvios de recursos públicos, sobretudo emendas parlamentares, envolvendo a produtora. O roteiro de Dark Horse é assinado pelo deputado federal Mário Frias, que, em 2024, destinou R$ 2 milhões em emendas para a ONG do filme.

Em maio, a defesa de Mário Frias negou ao ministro Flávio Dino que tenha feito triangulação de repasse de emendas para financiar a produção do filme. O deputado disse que a alegação é "puramente especulativa", baseada em "pré-julgamento" e um "argumento frágil, insuficiente e juridicamente irrelevante para sustentar qualquer irregularidade".

Suspeitas

Nas primeiras horas do mês de junho, a 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), deflagrou uma operação para investigar a suspeita de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), de propriedade de Karina Ferreira da Gama.

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Na ocasião, o ICB, a Go UP, dois endereços residenciais de Karina e a sede da Secretaria Municipal Inovação e Tecnologia foram alvos da operação, que cumpriu oito mandados de busca e apreensão determinados pela 1.ª Vara Regional da Garantias (1.ª RAJ).

A Polícia Civil também requisitou à Justiça acesso às análises do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações financeiras feitas pelo ICB, pela Go Up e por Karina. Entre as hipóteses investigadas está a de que parte dos recursos possa ter ido parar nos cofres da Go Up durante o tempo em que o filme Dark Horse foi produzido.

A obra teve mais de 90% de seu orçamento bancado com dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. O financiamento secreto foi tratado entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro mesmo depois da prisão de Vorcaro por fraudes bilionárias, em novembro de 2025, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal em um dos celulares do banqueiro. *(Com informações do Estadão Conteúdo)

Fonte: Portal Terra
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