Dino autoriza operação contra Frias e produtora de 'Dark Horse' em meio a crise no STF

Mandados de busca e apreensão são cumpridos pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, 10

10 set 2026 - 08h28
Mario Frias e produtora do filme 'Dark Horse' são alvos da operação da PF
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Os mandados de busca e apreensão da operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 10, foram expedidos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação acontece em meio a crise na Corte e um dia após o ministro determinar a imediata reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal (PF) e de Leandro Almada da Costa ao cargo de Diretor de Inteligência Policial da PF -- decisão que foi suspensa pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Na manhã desta quinta-feira, a PF faz uma operação para investigar o desvio de recursos de emendas parlamentares para o financiamento do filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora de Dark Horse Karina Gama, dona da Go UP Entertainment Ltd, são alvos, além de outras 20 pessoas.

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No total, estão sendo cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. A operação não tem mandados de prisão. O Terra busca contato com as defesas de Frias e Karina sobre o caso. 

O ministro Flávio Dino é o relator de inquéritos que investigam desvios em emendas parlamentares
O ministro Flávio Dino é o relator de inquéritos que investigam desvios em emendas parlamentares
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil / Estadão

A operação de hoje é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e foi batizada de "Make Up".

As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano, conforme a PF.

De acordo com a corporação, levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado.

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Estão sendo investigados os seguintes crimes:

  • peculato;
  • falsidade documental;
  • lavagem de dinheiro;
  • organização criminosa; e
  • crimes licitatórios.

Compartilhamento de dados

Em agosto, Dino autorizou o compartilhamento de dados da Polícia Civil de São Paulo com a PF dos dados apreendidos na operação que atingiu Karina Gama.

A própria PF pediu acesso ao material para ampliar as investigações sobre suspeitas de desvios de recursos públicos, sobretudo emendas parlamentares, envolvendo a produtora. O roteiro de Dark Horse é assinado pelo deputado federal Mário Frias, que, em 2024, destinou R$ 2 milhões em emendas para a ONG do filme.

Em maio, a defesa de Mário Frias negou ao ministro Flávio Dino que tenha feito triangulação de repasse de emendas para financiar a produção do filme. O deputado disse que a alegação é "puramente especulativa", baseada em "pré-julgamento" e um "argumento frágil, insuficiente e juridicamente irrelevante para sustentar qualquer irregularidade".

Suspeitas

Nas primeiras horas do mês de junho, a 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), deflagrou uma operação para investigar a suspeita de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), de propriedade de Karina Ferreira da Gama.

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Na ocasião, o ICB, a Go UP, dois endereços residenciais de Karina e a sede da Secretaria Municipal Inovação e Tecnologia foram alvos da operação, que cumpriu oito mandados de busca e apreensão determinados pela 1.ª Vara Regional da Garantias (1.ª RAJ).

A Polícia Civil também requisitou à Justiça acesso às análises do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações financeiras feitas pelo ICB, pela Go Up e por Karina. Entre as hipóteses investigadas está a de que parte dos recursos possa ter ido parar nos cofres da Go Up durante o tempo em que o filme Dark Horse foi produzido.

A obra teve mais de 90% de seu orçamento bancado com dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. O financiamento secreto foi tratado entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro mesmo depois da prisão de Vorcaro por fraudes bilionárias, em novembro de 2025, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal em um dos celulares do banqueiro. *(Com informações do Estadão Conteúdo)

Fonte: Portal Terra
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