O candidato Augusto Cury (Avante) defende criar o cargo de primeiro-ministro voltado à gestão econômica liberal, mantendo o presidente em funções estratégicas. Para compor sua equipe econômica, ele dialoga com nomes como Mansueto Almeida e Marcos Lisboa. Cury também apoiou o manifesto da Fiesp que cobra celeridade e imparcialidade do STF, afirmando que eventuais irregularidades de ministros, incluindo Alexandre de Moraes, devem ser investigadas rigorosamente, sem descartar impeachment se provadas.
O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) defendeu nesta quarta-feira, 9, uma mudança no sistema presidencialista brasileiro e a criação da figura de um primeiro-ministro. Segundo ele, a alteração deveria começar a ser discutida no Congresso já na primeira semana de um eventual governo.
"Um presidente que nunca plantou uma horta quer definir o futuro da agricultura, que não colocou o seu dinheiro em risco quer definir o futuro do comércio ou o futuro da indústria? Não está certo isso", afirmou.
Cury disse ainda que o presidencialismo "flerta" com populismo, autoritarismo e permanência prolongada no poder. "O presidencialismo flerta também com o quê? Com o populismo, flerta com autoritarismo e com a autoperpetuação no poder", declarou.
Na proposta apresentada pelo candidato, o presidente teria uma função mais estratégica, com atuação sobretudo em política externa, enquanto o primeiro-ministro teria perfil voltado à gestão econômica.
"Um presidente no estratégico, que tivesse capacidade para lidar com a política externa, e um primeiro-ministro que tivesse uma mente capitalista notável, com meritocracia, Estado enxuto, baixos impostos, um país mais empreendedor, mas com coração social", disse.
Segundo Cury, a mudança permitiria ao País entrar no que chamou de uma "era moderna".
CONVERSAS COM MANSUETO ALMEIDA E MARCOS LISBOA
Cury afirmou que conversa com os economistas Mansueto Almeida e Marcos Lisboa e disse que pretende procurar outros nomes conhecidos para discutir a formação de uma eventual equipe de governo.
"Eu estou conversando, por exemplo, com grandes economistas, como Mansueto Almeida, como o Marcos Lisboa, ex-presidente do Insper", afirmou Cury.
Na mesma resposta, o candidato citou Mauro Benevides e disse que ainda pretende conversar com Ilan Goldfajn e Armínio Fraga, ex-presidentes do Banco Central.
Cury afirmou que, se eleito, pretende montar o que tem chamado de "time de ouro" com especialistas de diferentes áreas. "Não é uma pessoa, não é o governo de Augusto Cury", disse.
O presidenciável voltou a afirmar que não pretende fazer carreira política e que quer atuar como uma "transição" para um novo modelo de governo.
CURY APOIA MANIFESTO DA FIESP E COBRA RAPIDEZ E ISENÇÃO DO STF
Cury manifestou apoio ao "Manifesto à Nação Brasileira", divulgado por cerca de 3 mil entidades do setor produtivo lideradas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e cobrou rapidez e isenção do Supremo Tribunal Federal (STF) na análise de fatos envolvendo integrantes da Corte.
O manifesto cobra do Supremo análise urgente e pública de fatos recentes, com transparência e imparcialidade. Segundo os organizadores, as entidades signatárias representam cerca de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 40 milhões de empregos.
Cury afirmou que foi à entidade também para prestar solidariedade ao documento. "Eu sou a favor desse manifesto", disse. Segundo ele, eventuais atos ilícitos cometidos por integrantes do STF devem ser investigados e julgados "até as últimas consequências".
"Ninguém, literalmente ninguém está acima da lei, nenhum membro também da Corte, nenhum ministro da Suprema Corte", afirmou.
Ao tratar especificamente do ministro Alexandre de Moraes, Cury disse que, se for comprovada uma irregularidade grave o suficiente para comprometer sua permanência no cargo, o ministro deve sofrer impeachment ou deixar a função. O candidato ressaltou, porém, que não fazia um julgamento antecipado.
Cury também cobrou rapidez na análise do caso e disse esperar uma definição ainda em setembro. "Eu espero que agora, neste mês de setembro, isso já esteja resolvido, porque não adianta empurrar um julgamento que se arrasta, arrasta, arrasta por meses e depois se torna estéril, em pizza", declarou.
O presidenciável afirmou ainda que integrantes do Supremo, assim como outros ocupantes de cargos públicos, devem responder à sociedade. "Ninguém é dono do seu cargo. Existe um patrão, existe um empregador que chama sociedade brasileira", disse.