É falso que a Nestlé esteja fechando fábricas ou encerrando a produção do KitKat no Brasil devido ao governo Lula. O plano de reestruturação global da multinacional, que prevê 16 mil demissões até 2028, atinge unidades na Alemanha e na Hungria. No Brasil, as operações seguem normais em todas as 18 fábricas, com a manutenção de mais de 30 mil empregos e a execução de um plano de investimentos de R$ 7 bilhões até 2028 para modernização e ampliação produtiva.
O que estão compartilhando: que a Nestlé, mais uma empresa que quebra durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou a demissão de 16 mil funcionários, o fechamento de duas fábricas e a suspensão da produção do chocolate KitKat.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Em outubro de 2025, a Nestlé anunciou um plano de reestruturação, com 16 mil demissões ao redor do mundo. A fábrica de Diósgyor, na Hungria, será fechada em dezembro deste ano. Em março, a Nestlé tinha anunciado o fechamento da planta de Neuss, na Alemanha.
"A Nestlé esclarece que suas operações no Brasil seguem normalmente e que a companhia mantém seu plano de investimentos de R$7 bilhões no País até 2028, atualmente em plena execução", disse a empresa, em nota.
O chocolate KitKat continua a ser produzido na unidade de Caçapava (SP).
Saiba mais: No vídeo, que tem mais de 22 mil visualizações no Instagram, um homem acusa o governo Lula de ser responsável pela demissão de 16 mil funcionários e pelo fechamento de duas fábricas da Nestlé. Ao final, o autor sugere que os funcionários da empresa e de outras que "fizeram o L" devem "engolir o choro". Ele não explica que as demissões e o fechamento das fábricas não ocorreram no Brasil nem são novidade. O autor foi procurado, mas não respondeu.
Plano de reestruturação vai até 2028
Em outubro de 2025, a Nestlé divulgou a maior reestruturação da marca, batizada de Fuel for Growth (combustível para crescimento). O CEO da empresa, Philipp Navratil, disse que a Nestlé estava enfrentando dificuldades comuns a outros fabricantes de alimentos, como o aumento dos custos das commodities e o impacto negativo das tarifas dos Estados Unidos.
As 16 mil demissões foram programadas para ocorrer até 2028. Serão 12 mil cortes em cargos administrativos em diversos locais do mundo, além de 4 mil demissões na cadeia de produção de suprimentos. Em nota, a Nestlé Brasil disse que a empresa não divulga dados dessa reestruturação por país.
Alguns meses antes do lançamento do plano de reestruturação, em março do ano passado, a Nestlé anunciou que fecharia a fábrica localizada na cidade de Neuss, na Alemanha, em meados de 2026, e que a produção seria transferida para a unidade de Lüdinghausen, no mesmo país. Em Neuss, 145 pessoas trabalhavam na fabricação de produtos como azeite, maionese e mostarda. Com a mudança para a fábrica de Lüdinghausen, foram abertas 30 vagas de emprego.
No mesmo dia, a Nestlé disse que pretendia vender a fábrica de Conow, também na Alemanha. A transação foi concluída em novembro de 2025 e, segundo a empresa, os empregos foram mantidos.
O anúncio sobre o fechamento de uma fábrica da Nestlé mais recente é de 17 de julho deste ano, quando a empresa informou que encerrará as atividades na unidade de Diósgyor, na Hungria, em dezembro deste ano. Atualmente, 220 pessoas trabalham na fábrica que produz chocolates sazonais, que continuarão a ser produzidos por uma unidade independente da Nestlé.
Nestlé emprega mais de 30 mil no Brasil
Na contramão desses anúncios, a Nestlé divulgou em junho do ano passado que investirá R$ 7 bilhões no Brasil até 2028. A companhia emprega mais de 30 mil pessoas em 18 fábricas no País, que é considerado o terceiro maior mercado da Nestlé no mundo e o motor de crescimento da companhia nas Américas. Todas as 18 unidades do Brasil seguem em funcionamento.
Quando fez o anúncio, a empresa disse que o investimento seria direcionado "a modernização industrial, inovação em categorias estratégicas, avanços em sustentabilidade e ampliação de capacidades produtivas, acompanhando o forte crescimento da companhia no país".
O CEO da Nestlé no Brasil, Marcelo Melchior, destacou a ampliação da fábrica de Vila Velha (ES), a expansão da linha de cafés na unidade de Montes Claros (MG) e a instalação de uma nova linha de extração de café solúvel em Araras (SP). Também foi iniciada a operação na nova fábrica voltada para nutrição animal em Vargeão (SC).