O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL), renunciou ao cargo nesta segunda-feira, 23, para disputar uma vaga no Senado nas próximas eleições, que serão realizadas em outubro. A renúncia ocorre um dia antes da chapa de Castro ser julgada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, que pode resultar na cassação do mandato do governador e torná-lo inelegível.
Em entrevista coletiva no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, Castro disse sair do governo de cabeça erguida e relembrou a operação policial que deixou 122 mortos no Complexo da Penha em outubro de 2025.
"Fizemos a maior operação do mundo aqui no Rio de Janeiro. Depois de muitos anos, vencemos a pior guerra que se pode dizer na segurança pública, que é a guerra da narrativa. Fizemos o cidadão na ponta ser ouvido. E esse cidadão pôde dizer que ele era favorável à polícia", afirmou.
Segundo Castro, era improvável que ele chegasse ao cargo. Inicialmente, o político foi eleito em 2018 como vice de Wilson Witzel, que sofreu impeachment em 2020. Depois, Castro foi reeleito em 2022 no primeiro turno.
O vice de Castro, Thiago Pampolha (MDB) renunciou ao cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.
A linha sucessória prevê que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) assumiria o governo do Estado, mas o posto está vago desde que Rodrigo Bacellar (União) foi afastado da presidência em dezembro de 2025, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), após ser preso suspeito de ter vazado informações de uma operação policial para o deputado estadual TH Joias, acusado de ligação criminosa com a facção Comando Vermelho (CV).
O cargo de governador do Rio então ficará interinamente com o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Ricardo Couto. Após assumir, Couto deverá convocar uma eleição indireta para determinar quem concluirá o mandato de Castro, que vai até dezembro.
Caso Ceperj
O processo que pode resultar na cassação do mandato de Castro reúne dois recursos do Ministério Público Eleitoral (MPE) que apontam suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Segundo a acusação, a Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) teriam sido utilizadas para a contratação de cabos eleitorais com recursos do governo estadual durante a campanha.
Também são alvos o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União-RJ), e Thiago Pampolha. Em caso de condenação, os envolvidos podem perder os mandatos e ficar inelegíveis até 2030 - assim, Castro estaria impedido de tentar a eleição para o Senado neste ano.
O julgamento teve início no dia 10 de março, mas um pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques adiou o processo para esta terça-feira, 24. Até o momento, o placar está em 2 a 0 pela condenação de Castro.
Nas redes sociais, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que é candidato ao governo do Estado, criticou o evento de renúncia de Castro alegando que ele está "fugindo da justiça". Em publicação no X (antigo Twitter) no domingo, 22, Paes compartilhou o convite para o ato de despedida e afirmou que o governador está "desrespeitando a justiça com os crimes que cometeu".
Encerramento de mandato nada! Trata-se de um governador omisso fugindo da justiça. Fugindo não! Pior! Desrespeitando a justiça com os crimes que cometeu! Não podemos mais permitir que esse tipo de impunidade aconteça. Destruiu com seu grupo o Rio de Janeiro! Não passará… pic.twitter.com/bnx7jzPTWH
— Eduardo Paes (@eduardopaes) March 22, 2026