BRASÍLIA - O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou em entrevista a uma emissora local, no Piauí, nesta quinta-feira, 21, que o terreno vendido por empresa da família dele a uma distribuidora de combustíveis não foi formalmente transferido para a nova proprietária. Segundo o parlamentar, a compradora, apontada pela Polícia Federal como pertencente ao conglomerado da Refit, "não pagou até o final".
A declaração contradiz informações levadas pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o próprio contrato de compra e venda assinado pelo irmão do senador.
Desembargador do Rio foi 'cooptado' por esquema de fraudes de Ricardo Magro na Refit, diz PFO contrato tem uma divergência de valores. Ele estabeleceu que a negociação seria de R$ 14,2 milhões, pagos em três parcelas de R$ 2,5 milhões, cada, a partir de novembro de 2024. E o restante em 21 prestações de R$ 300 mil. Essa divisão soma R$ 13,8 milhões.
A Athena foi apontada pela PF como a principal beneficiária do fundo EUV Gladiator, ligada ao grupo Refit do empresário Ricardo Magro, investigado na Operação Sem Refino.
O pagamento à empresa da família de Ciro Nogueira ainda será aprofundado pelas investigações. Um ex-assessor dele chegou a ser alvo de busca e apreensão, mas o senador não foi alvo da Sem Refino. No início do mês, o parlamentar sofreu busca e apreensão determinada no âmbito da Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master.
Embora esse fundo pertença formalmente à empresa Eurovest, a PF aponta na investigação que trata-se na verdade de uma estrutura usada por Ricardo Magro para blindagem patrimonial e ocultação de bens.
A Athena, que comprou o terreno da família de Ciro, seria um braço do grupo de Ricardo Magro para blindagem patrimonial por meio da compra de imóveis.
O grupo Refit, a antiga Refinaria Manguinhos, atua no setor de combustíveis e é suspeito de práticas de corrupção e sonegação. Segundo a Receita Federal, Ricardo Magro é o maior devedor contumaz de impostos do Brasil, com dívidas que superam R$ 26 bilhões.
Na quarta-feira, Ciro Nogueira enviou nota na qual deu a compra e venda como concretizada.
"Esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado", alegou.