Ciro Nogueira diz que não transferiu terreno vendido para empresa financiada por fundo da Refit

Senador disse a emissora do Piauí que compradora 'não pagou até o final', embora valor descoberto pela PF seja o mesmo do contrato assinado pelo irmão do parlamentar; a defesa de Ciro não se manifestou sobre divergência de informações

21 mai 2026 - 20h51
(atualizado às 21h01)

O senador Ciro Nogueira (PP-PI). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
O senador Ciro Nogueira (PP-PI). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado / Estadão

BRASÍLIA - O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou em entrevista a uma emissora local, no Piauí, nesta quinta-feira, 21, que o terreno vendido por empresa da família dele a uma distribuidora de combustíveis não foi formalmente transferido para a nova proprietária. Segundo o parlamentar, a compradora, apontada pela Polícia Federal como pertencente ao conglomerado da Refit, "não pagou até o final".

A declaração contradiz informações levadas pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o próprio contrato de compra e venda assinado pelo irmão do senador.

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  • O contrato tem uma divergência de valores. Ele estabeleceu que a negociação seria de R$ 14,2 milhões, pagos em três parcelas de R$ 2,5 milhões, cada, a partir de novembro de 2024. E o restante em 21 prestações de R$ 300 mil. Essa divisão soma R$ 13,8 milhões.

    A Athena foi apontada pela PF como a principal beneficiária do fundo EUV Gladiator, ligada ao grupo Refit do empresário Ricardo Magro, investigado na Operação Sem Refino.

    O pagamento à empresa da família de Ciro Nogueira ainda será aprofundado pelas investigações. Um ex-assessor dele chegou a ser alvo de busca e apreensão, mas o senador não foi alvo da Sem Refino. No início do mês, o parlamentar sofreu busca e apreensão determinada no âmbito da Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master.

    Embora esse fundo pertença formalmente à empresa Eurovest, a PF aponta na investigação que trata-se na verdade de uma estrutura usada por Ricardo Magro para blindagem patrimonial e ocultação de bens.

    A Athena, que comprou o terreno da família de Ciro, seria um braço do grupo de Ricardo Magro para blindagem patrimonial por meio da compra de imóveis.

    O grupo Refit, a antiga Refinaria Manguinhos, atua no setor de combustíveis e é suspeito de práticas de corrupção e sonegação. Segundo a Receita Federal, Ricardo Magro é o maior devedor contumaz de impostos do Brasil, com dívidas que superam R$ 26 bilhões.

    Na quarta-feira, Ciro Nogueira enviou nota na qual deu a compra e venda como concretizada.

    "Esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado", alegou.

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