BRASÍLIA - Integrantes da campanha de Romeu Zema (Novo) à Presidência da República avaliam que as críticas do presidente da Argentina, Javier Milei, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram "deselegantes" e acabam falando apenas para o nicho bolsonarista, com eleito eleitoral limitado ao também candidato Flávio Bolsonaro (PL).
No sábado, 25, durante a convenção nacional do PL que oficializou o senador como nome do partido ao Palácio do Planalto, Milei chamou Moraes de "lixo careca" e reclamou de não ter recebido autorização do ministro para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar em Brasília.
Zema é declarado crítico de alguns ministros do STF, a quem chama de "intocáveis". No lançamento de sua candidatura, nesta segunda-feira, 27, ele defendeu o impeachment de "frutas podres que estão no Supremo".
"Temos ali dois ministros envolvidos até o pescoço com o banqueiro bandido, e um terceiro, nem tanto, mas envolvido com patrocínios de congressos jurídicos, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes", declarou a jornalistas, após a convenção nacional do Novo.
Zema também citou a possível relação dos ministros com o dono do banco Master, Daniel Vorcaro: "Não fui eu que andei no jatinho do banqueiro bandido, foram eles. Não fui eu que recebi o banqueiro bandido diversas vezes, que tenho ele na minha agenda de celular. Nunca nem escutei a voz do dito cujo".
Ainda assim, segundo integrantes de sua campanha, as declarações de Milei foram consideradas inadequadas pelo ex-governador de Minas Gerais, que indicou que esse tipo de interferência em outro país é inapropriada. Apesar disso, o candidato do Novo minimizou a aliados o impacto eleitoral do apoio do argentino a Flávio Bolsonaro, argumentando que é voltado a um eleitorado que, hoje, já vota no senador. Outra ponderação é que, até as eleições, o episódio já terá sido esquecido.
É uma avaliação parecida com a que o político faz sobre a tentativa do governo americano de monitorar as urnas eletrônicas, tema que também tem aderência junto aos bolsonaristas. A campanha de Zema sinaliza que esse tipo de discurso não ajuda a angariar novos eleitores e dialoga apenas para os "convertidos".
Ex-governador elogia ação de Bukele em segurança pública
Uma das estratégias de Zema para conquistar votos na direita será usar indicadores de seu governo em temas que têm apelo junto a esses eleitores, como segurança pública. Segundo aliados do candidato do Novo, haveria uma vantagem comparativa até mesmo ante o nome do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, que tem nessa área uma de suas bandeiras.
O modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, é elogiado pelo ex-governador de Minas, que já declarou publicamente considerar o governo do salvadorenho uma "inspiração". A campanha também avalia que embora as propostas possam ser consideradas "radicais", contariam com o apoio do eleitorado, que tem a segurança pública como uma das principais preocupações.
Bukele também é citado como inspiração por um dos adversários de Zema, o candidato do Missão, Renan Santos. Sobre o adversário, segundo aliados, o ex-governador de Minas Gerais avalia que se comporta como uma "metralhadora", ao atacar indiscriminadamente os demais candidatos, mas que fala apenas para um público restrito, das redes sociais.