BRASÍLIA - O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve alta na manhã desta sexta-feira, 27, do hospital DF Star, em Brasília, onde ficou internado por duas semanas após ter tido febre, crises de vômito e redução significativa de oxigenação no sangue. Ele seguiu para casa para cumprir prisão domiciliar.
O médico Brasil Caiado afirmou que o ex-presidente deixou a unidade pouco antes das 10h e foi para a residência dele, localizada em um condomínio fechado no bairro Jardim Botânico, na capital federal, acompanhado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Por volta de 10h30, Bolsonaro desceu de uma caminhonete branca, que foi estacionada em frente à casa, com um colete à prova de balas da Polícia Militar.
O ex-presidente foi diagnosticado com "broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa". Ele foi internado no último dia 13. "A pneumonia tem fases. Não podemos dizer que está curado. Encerrou-se a fase hospitalar. Continua-se o tratamento de forma diferente, com fisioterapia respiratória, motora e reabilitação cardiopulmonar em casa. Com uma previsão de novo controle com tomografia em quatro semanas", disse o médico.
"A evolução nesses últimos dois dias foi o que nós esperávamos, tranquila, sem nenhuma intercorrência, com a medicação totalmente adaptada, já com a transição para a medicação via oral, para ser usada em casa", disse Caiado.
"Normalmente nessas infecções agudas, com característica grave, a fase inicial do tratamento gera muita apreensão. Nós médicos, muitas vezes, não sabemos o desenrolar e como vai ser a progressão da doença. Mas felizmente ocorreu dentro do previsto. A primeira semana mais delicada, a resposta ao medicamento e a resposta imunológica do corpo dele. Ficamos um pouco apreensivos, mas sempre otimistas. Na segunda semana, ele evoluiu de forma satisfatória, com melhora progressiva, tanto do ponto de vista laboratorial quanto clínico e de imagem", explicou.
No período em que Bolsonaro esteve internado, os advogados dele conseguiram com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a transferência do 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, onde cumpria prisão em regime fechado, para a casa no condomínio Solar de Brasília.
Bolsonaro ficará submetido a monitoramento 24 horas com tornozeleira eletrônica e haverá controle de todas as pessoas que acessam a casa dele. Moraes autorizou a prisão domiciliar pelo prazo inicial de 90 dias. O quadro clínico do ex-presidente será avaliado constantemente e é possível que ele ainda volte ao regime fechado.
Agora, afirmou Caiado, começa uma nova fase do tratamento do ex-presidente, com fisioterapia motora e respiratória e um programa de reabilitação cardiopulmonar, além de acompanhamento nutricional.
No final de abril, segundo o médico, o ex-presidente deverá voltar ao hospital para fazer uma cirurgia no ombro direito. "Nossa previsão é que se faça essa cirurgia no período de quatro semanas. Ele provavelmente retornará com tudo organizado para artroscopia do ombro direito", disse o médico, que já havia afirmado nesta semana que Bolsonaro havia feito exames após reclamar de dores no local.