Bolsonaro recebeu R$ 30 milhões em um ano, diz relatório da PF

Documento produzido pela Polícia Federal cita análise das transações financeiras do ex-presidente a partir de comunicações atípicas do Coaf; defesa de ex-presidente ainda não se pronunciou

21 ago 2025 - 15h17
(atualizado às 18h55)
Bolsonaro recebeu R$ 30 milhões em um ano, diz relatório da Polícia Federal
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BRASÍLIA — O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu em suas suas contas bancárias um volume total de R$ 30 milhões no período entre março de 2023 e fevereiro de 2024, de acordo com relatório de análise da Polícia Federal.

As transações foram consideradas atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que repassou as informações à PF. O relatório aponta que essas movimentações indicam suspeitas de "lavagem de dinheiro e outros ilícitos".

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Procurada, a defesa do ex-presidente ainda não se pronunciou.

Relatório da PF aponta movimentações financeiras nas contas do ex-presidente Jair Bolsonaro
Relatório da PF aponta movimentações financeiras nas contas do ex-presidente Jair Bolsonaro
Foto: Dida Sampaio / Estadão / Estadão

Segundo o relatório, a maior parte dos depósitos veio de transferências por Pix. O documento registra que Bolsonaro recebeu 1.214.254 de depósitos via essa modalidade de transação.

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No total, ele arrecadou R$ 19.279.915,45. Esse valor representa 64% do dinheiro que entrou nas contas de Bolsonaro. Os depósitos foram feitos por doações voluntárias de seguidores do ex-presidente principalmente em 2023. Na época, Bolsonaro agradeceu publicamente a ajuda financeira, sendo que a cifra mencionada por ele fora de R$ 17 milhões.

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A maior parte dessa movimentação foi destinada ao pagamentos de advogados e depósitos em aplicações financeiras.

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"No período de 01/03/2023 a 07/02/2024, foram movimentados R$ 30.576.801,36 em créditos e R$ 30.595.430,71 em débitos", escreveu a Polícia Federal.

Trecho de relatório da PF que cita movimentação financeira de Jair Bolsonaro
Foto: Reprodução / Estadão / Estadão
Trecho de relatório da PF com débitos registrados nas contas de Jair Bolsonaro
Foto: Reprodução / Estadão / Estadão

Nesse período, os dois escritórios de advocacia que defendiam o ex-presidente receberam R$ 6,6 milhões, de acordo com a PF.

"Quanto aos débitos, mais de cinquenta por cento do valor total movimentado no período referem-se a aplicações em CDB/RDB, concentradas em 6 lançamentos, que somaram R$ 18.325.000,00?, diz a PF.

A PF também identificou um grande volume de transações no período de dezembro de 2024 a junho de 2025: R$ 22 milhões em movimentações.

Foi nessa época que Bolsonaro transferiu R$ 2,1 milhões para seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e outros R$ 2 milhões para sua esposa Michelle. Para a PF, os repasses a Eduardo serviram para financiar suas ações nos Estados Unidos contra o governo brasileiro, enquanto a transferência para Michelle tinha o objetivo de driblar um eventual bloqueio de suas contas bancárias.

O relatório da PF faz parte da investigação sobre tentativa de obstruir o julgamento da ação penal sobre golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal. Nessa investigação, Bolsonaro e seu filho Eduardo foram indiciados pela PF.

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Com base nos dados do Coaf, a Polícia Federal também identificou movimentações atípicas de dois filhos do ex-presidente, Eduardo e Carlos, além de Michelle.

No caso da ex-primeira dama, ela recebeu créditos de R$ 2,9 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2024, além de ter gastado R$ 3,3 milhões no mesmo período. A maior parte dos recebimentos foi proveniente de uma empresa da qual ela é sócia, a MPB Business, que creditou para ela R$ 1,9 milhão.

As transações de Eduardo Bolsonaro que foram consideradas atípicas incluem o recebimento de R$ 2,1 milhões transferidos por seu pai e uma operação de câmbio de R$ 1,6 milhão.

Carlos Bolsonaro e a venda de um apartamento

No caso de Carlos Bolsonaro, a PF diz que ele recebeu R$ 4,8 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2024.

O documento cita que, no período, o filho do ex-presidente recebeu um pagamento de R$ 700 mil do empresário Mario Pimenta de Oliveira Filho.

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Procurado pela reportagem, Oliveira Filho confirmou o pagamento e disse que ele é referentes à compra de um apartamento que pertencia a Carlos Bolsonaro, na Tijuca.

O comprador contou ter feito a aquisição sem saber quem era o proprietário, informação que só obteve no ato da assinatura de documentos em cartório. Mário Filho atua no ramo de oficinas de automóveis.

Oliveira Filho disse que mora no prédio e comprou o apartamento, no andar de baixo, para receber uma familiar que enfrentava problemas de saúde.

"Não sabia que era dele. Pela documentação, vi que pertencia a ele desde 2003, salvo engano. Não sou do ramo da política, sou comerciante", disse o empresário, que relatou ter colocado o imóvel novamente à venda.

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