Arrogância e nervosismo em um 'circo dos horrores': colunistas avaliam debate entre Flávio e Lula

Candidatos à Presidência se reuniram no domingo em um evento marcado por bate-boca, mau comportamento da plateia e poucas propostas; leia análises

19 out 2026 - 01h03
Resumo
O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro foi marcado por bate-bocas e poucas propostas, sendo definido por colunistas como um "circo dos horrores". Flávio destacou-se ao desestabilizar Lula com deboches e táticas voltadas para cortes nas redes sociais, sob a influência de Pablo Marçal, embora sua postura possa soar arrogante. Já Lula expôs a fuga de respostas do rival ao propor a abertura de sigilos, em um evento raso que analistas temem aprofundar a polarização do país.

O primeiro debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ficou marcado por trocas de acusações, bate-boca e um péssimo comportamento da plateia presente nos estúdios do Grupo Bandeirantes. O presidente e o senador fluminense, que concorrem à Presidência, desperdiçaram a oportunidade de mostrar propostas.

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Montou-se quase um "circo dos horrores", como define o colunista e coordenador de Política do Estadão em Brasília Francisco Leali. Para ele, o debate revelou o pior de cada um dos candidatos à Presidência. "Propostas de governo? Se falaram, se perdeu no burburinho", afirma.

Flávio Bolsonaro e Lula estiveram frente a frente no debate deste domingo, 18, na Band.
Flávio Bolsonaro e Lula estiveram frente a frente no debate deste domingo, 18, na Band.
Foto: Werther Santana/Estadao / Estadão

Ainda assim, diante do cenário montado, ganhou destaque a postura de Flávio Bolsonaro, seus gestos e caras e bocas que fazia às costas de Lula enquanto o petista falava à câmera. A colunista Roseann Kennedy afirma que, ao utilizar uma tática original de Donald Trump, o senador fluminense pôde desestabilizar o concorrente em um debate raso e capaz de desanimar o eleitor.

Já Eliane Cantanhêde levanta uma pergunta sobre a escolha de Flávio. Talvez tal ação gere mais repulsa do que aceitação entre o eleitorado. "A mesma dúvida vale para a angustiante persistência de Flávio em se colocar sempre como 'uma sombra' atrás de Lula, fazendo caras e bocas, debochando, balançando a cabeça. Que distraiu a atenção, não há dúvidas. Mas será que o telespectador recebeu bem, ou considerou arrogância?", questiona a colunista.

Flávio Bolsonaro se destacou mais no debate

Os colunistas Fabiano Lana, Diogo Schelp e Ricardo Corrêa concordam que Flávio Bolsonaro se saiu melhor no primeiro debate com Lula. Os analistas, porém, elencam diferentes considerações e ponderam quão vitorioso o senador fluminense pode ter, de fato, saído do encontro.

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Schelp entende que faltou a Flávio uma bala de prata que pudesse colocar um ponto final em qualquer discussão. Sobrou, no entanto, tentativas de lacrar para liderar os cortes nas redes. "Em uma campanha em que a lacração foi mais valorizada pelos candidatos do que a discussão de propostas factíveis para os problemas do País, as atuações de Lula e Flávio nesse debate acabaram se provando apenas uma extensão dessa estratégia", afirma.

O coordenador de Política em São Paulo do Estadão, por sua vez, indica que Lula foi capaz de colocar em Flávio a marca de candidato que não responde devidamente aos questionamentos. "Lula lançou uma cartada inesperada na reta final do debate, ao propor que as contas bancárias e o sigilo telefônico dos dois sejam abertos à sociedade. Flávio não aceitou o desafio, argumentando que Lula receberia recursos ilícitos por fora", aponta Corrêa.

Quem esteve na plateia durante o debate e fez acenos, como se dirigisse a atuação de Flávio, foi Pablo Marçal, terceiro colocado na disputa à Prefeitura de São Paulo em 2024. Para Lana, um "ritmo de cortes" foi imposto ao debate ao seguir a cartilha do coach. "Flávio jogou fora o figurino de bolsonarista moderado. Atuou para que o evento se tornasse um dos debates mais baixos da história. Um festival de obscenidades", avalia.

O colunista ainda ressalta que uma exibição como esta no debate tem potencial para extravasar para além do campo eleitoral. "Independentemente do resultado eleitoral, eventos como esse irão agravar ainda mais a fratura política da sociedade brasileira, que precisa de conciliação", conclui Lana.

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