AGU fecha acordo para permitir posse de servidora do Itamaraty por cota racial

Oficial de chancelaria havia sido excluída dos quadros do Ministério das Relações Exteriores sob alegação de que não foi reconhecida como negra

15 jun 2026 - 20h31
(atualizado às 22h57)
AGU fecha acordo para permitir posse de servidora no Itamaraty aprovada por cotas raciais
AGU fecha acordo para permitir posse de servidora no Itamaraty aprovada por cotas raciais
Foto: Reprodução / AGU / Estadão

A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou nesta segunda-feira, 15, que fechou um acordo para permitir a posse da oficial de chancelaria do Itamaraty Flávia Medeiros. Ela fora exonerada do posto em maio, um mês e vinte dias após tomar posse com uma liminar, como revelou a Coluna do Estadão. Flávia havia sido considerada branca e barrada no concurso público na disputa por vagas reservadas a cotas raciais.

Flávia Medeiros recorreu da decisão judicial que determinara exclusão dos quadros do Ministério das Relações Exteriores. O caso dela seria analisado com dois recursos na quarta-feira, dia 17, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

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A AGU se antecipou à decisão dos desembargadores e fechou um acordo com a servidora, que poderá retornar ao trabalho. O acordo ainda depende de homologação judicial.

"A banca de heteroidentificação em 2024 me considerou uma pessoa branca, de pele clara, algo completamente em desacordo com a realidade. Depois de receber essa notícia estarrecedora, entrei na Justiça e obtive uma decisão favorável, que agora foi revertida pela AGU", afirmou Medeiros.

Ela disse ao Estadão que se sempre se considerou uma mulher parda, negra de pele mais clara. Como o jornal revelou, ela chegou a se qualificar para receber uma bolsa de estudos destinada a candidatos aceitos em cotas raciais do Instituto Rio Branco e foi eleita no início de maio para compor o comitê étnico-racial do MRE.

Segundo a AGU, a "solução consensual encerra a controvérsia" discutida por ela no processo de mérito (um mandado de segurança) sobre o julgamento feito pela comissão do Cebraspe, banca do concurso feito em 2024 que a enquadrou como candidata de "pele clara, traços finos e cabelos lisos".

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A AGU informou que, após a homologação judicial, a União adotará as providências administrativas para viabilizar a nova nomeação e posse da candidata. Ela renunciou a demandas feitas antes na Justiça.

"A composição estabelece que a posse produzirá efeitos exclusivamente a partir de sua efetivação, sem efeitos retroativos", disse o órgão. "Em contrapartida, a candidata aceitou renunciar a eventuais pretensões indenizatórias, financeiras ou funcionais relacionadas aos fatos discutidos no processo, incluindo pedidos de remuneração retroativa, diferenças remuneratórias e outras repercussões anteriores à nova posse."Quando homologado, o acordo encerrará o processo judicial. O acordo foi firmado em cerimônia realizada na AGU, em Brasília, com o ministro da AGU, Jorge Messias, e a secretária-geral das Relações Exteriores, embaixadora Maria Laura da Rocha.

"Estamos seguindo uma diretriz do governo, que nos orienta a lidar com estes temas com humanidade, sem nos afastarmos da legalidade", afirmou o ministro da AGU. "Esta conciliação preserva a legalidade, preserva a constitucionalidade e corrige uma rota que estava indo pela direção equivocada."

"O que este caso nos mostra é que temos condições de evoluir e corrigir rotas a partir de um aprendizado institucional, e esta é uma atitude nobre", disse o ministro Jorge Messias.

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Messias defendeu que o governo deve promover uma "profunda reflexão" para a reformulação do processo de heteroidentificação: "Ficará este legado para que injustiças não ocorram mais. O Estado não pode ter compromisso com o erro".

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