O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) oficializou, na quarta-feira, 22, sua candidatura ao governo da Bahia. Aos 47 anos, ele disputará pela segunda vez o Palácio de Ondina com o objetivo de interromper quase 20 anos de hegemonia do PT, que comanda o Estado desde 2007. O principal adversário do ex-prefeito será o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), que tenta a reeleição apoiado pela popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Bahia.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
A última vitória de um não petista ao governo da Bahia ocorreu em 2002, quando Paulo Souto (PFL) foi eleito. Quatro anos depois, em 2006, ele foi derrotado por Jaques Wagner (PT), resultado que encerrou a era carlista, movimento político liderado pelo ex-governador e ex-senador Antônio Carlos Magalhães (ACM), avô de ACM Neto.
Na eleição deste ano, a composição nacional da aliança da oposição liderada por ACM Neto chama atenção. Embora o ex-prefeito, que nas eleições de 2022 se manteve longe do debate nacional, tenha declarado apoio ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) na disputa presidencial, seu palanque contará com aliados que defendem outros nomes ao Planalto.
É o caso do senador Angelo Coronel (Republicanos) e do ex-ministro João Roma (PL), integrantes da chapa ao Senado, que já manifestaram apoio a Flávio Bolsonaro (PL). E tem ainda o presidente do Novo na Bahia, o ex-deputado federal José Carlos Aleluia, que desistiu de disputar o governo para apoiar ACM Neto, mas fará campanha pelo Planalto para o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Ao Terra, dois ex-ministros baianos com bom trânsito no campo governista e da oposição na Bahia apresentaram avaliações opostas sobre a estratégia eleitoral de ACM Neto para a disputa pelo governo do Estado, especialmente em relação ao apoio presidencial fragmentado entre seus aliados.
O ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB), hoje aliado do governador Jerônimo Rodrigues, avalia que a composição do palanque representa um problema para o candidato da oposição. Segundo ele, a presença de aliados que apoiam diferentes presidenciáveis tende a gerar falta de "nitidez" para o eleitor.
Na visão de Geddel, ACM Neto tenta evitar a nacionalização da campanha para não enfrentar diretamente a popularidade do presidente Lula na Bahia e utiliza o apoio a Caiado como um "biombo" para se distanciar da rejeição ao bolsonarismo no Estado. O ex-ministro também acredita que a associação entre Lula e Jerônimo deverá se fortalecer durante a campanha, favorecendo a reeleição do governador.
Em sentido oposto, um ex-ministro tucano ouvido pela reportagem considera que a estratégia de ter mais de um candidato a presidente representado na chapa amplia o potencial eleitoral de ACM Neto. Na avaliação dele, o apoio a Caiado permite ao ex-prefeito manter seu vínculo com a direita sem afastar eleitores de Lula que possam preferi-lo para governar a Bahia.
O tucano argumenta que a diversidade de apoios presidenciais dentro da aliança dificulta que Lula repita no estado o desempenho obtido em 2022, o que poderia reduzir o efeito de transferência de votos para Jerônimo. Para ele, a campanha deverá ser "estadualizada", concentrando o debate na comparação entre as gestões estaduais, e a eleição tende a ser decidida em primeiro turno.
Na última eleição, ACM Neto venceu o primeiro turno, mas acabou derrotado por Jerônimo Rodrigues no segundo, após receber mais de 4 milhões de votos. Agora, inicia a campanha na liderança das pesquisas. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado no início de julho, aponta o candidato do União Brasil com 49,2% das intenções de voto, contra 37,5% do atual governador.
As projeções eleitorais dos dois ex-ministros também seguem caminhos opostos. Para Geddel, a tendência é de fortalecimento da candidatura de Jerônimo à medida que a campanha avançar e a disputa presidencial ganhar protagonismo. O emedebista argumenta que a vinculação entre Lula e o governador deve consolidar votos no interior, onde, segundo ele, Jerônimo reúne o apoio da maioria dos prefeitos.
O ex-ministro tucano faz uma leitura diferente. Na avaliação dele, ACM Neto entra na disputa em posição mais favorável do que em 2022 por ter unificado a direita em torno de sua candidatura. Segundo o tucano, a estratégia de dividir os apoios presidenciais também reduz a possibilidade de Lula repetir na Bahia os cerca de 69,5% dos votos obtidos no primeiro turno da eleição passada, diminuindo, por consequência, o efeito de transferência de votos para Jerônimo.
Para o aliado de ACM Neto e para Geddel, a disputa deve ser decidida em primeiro turno, mas em um cenário bastante equilibrado. A estimativa é de uma diferença entre 200 mil e 300 mil votos entre os dois principais candidatos.