Sem citar Eduardo Bolsonaro, Caiado diz que quem precisa de green card é 'produtor brasileiro'
Sem citar o ex-deputado federal, pré-candidato à Presidência afirmou que documento permitiria ao agro 'entrar no mercado americano sem pagar pedágio'
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta terça-feira, 21, que o produtor brasileiro precisa de green card para "entrar no mercado americano sem pagar pedágio".
"Precisamos valorizar e fortalecer o agro do nosso País, defender a indústria e proteger os empregos do Brasil. Não é turismo, é sobre autoridade moral pra governar!", disse Caiado no X.
O green card é um documento concedido pelo governo dos Estados Unidos que autoriza estrangeiros a morarem no país com direitos semelhantes aos cidadãos americanos.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e a família foram beneficiados com a medida. O caso repercutiu na imprensa nesta segunda-feira, 20, por ocorrer em meio a crise nas relações entre o Brasil e os EUA.
Green card, quem precisa é o produtor brasileiro para entrar no mercado americano sem pagar pedágio. Precisamos valorizar e fortalecer o agro do nosso país, defender a indústria e proteger os empregos do Brasil.
Não é turismo, é sobre autoridade moral pra governar! ?
— Ronaldo Caiado (@ronaldocaiado) July 21, 2026
Em resposta, Eduardo afirmou que o green card deveria beneficiar os "fazendeiros condenados no golpe da Disney" - forma que bolsonaristas ironizam a tentativa de golpe de Estado, pelo qual o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso.
O ex-deputado afirma que o suposto silêncio de Caiado em relação aos condenados pela tentativa de golpe seria uma "cobrança para participar dos coquetéis do STF e da elite de Brasília". Disse ainda que a concessão de títulos de cidadania goiana a integrantes do Judiciário (Gilmar Mendes e Flávio Dino) mostra a quem Caiado atenderia caso chegasse à Presidência. "Faça-me o favor", escreveu.
Green card quem precisa são os fazendeiros condenados no golpe da Disney, que o senhor não fala nada.
É o preço que o senhor paga para participar do coquetéis do STF e elite de Brasília?
Dando cidadania goiana aos perseguidores o senhor deixa claro a quem atenderia caso… pic.twitter.com/KEmTwU54wo
— Eduardo Bolsonaro (@BolsonaroSP) July 21, 2026
A crise diplomática se agravou na semana passada, quando o governo Donald Trump concluiu investigação do Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) e determinou que produtos brasileiros recebessem uma tarifa de 25%.
Na esteira da decisão, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ainda fez críticas públicas ao governo brasileiro e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro". O Itamaraty reagiu e classificou as declarações como "grosseiras" e "arrogantes".
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Em entrevista ao Rede Comunica Brasil nesta terça-feira, o ex-deputado federal afirmou que o processo de obtenção do green card durou mais de um ano, exigiu a contratação de advogado e a abertura de contas bancárias para comprovar a origem de recursos. Disse ainda que precisou demonstrar notoriedade e potencial de trazer benefícios à sociedade americana.
O ex-deputado federal foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de reclusão por coação, devido à sua atuação nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário e impedir a análise da tentativa de golpe. A atuação de Eduardo Bolsonaro, ainda no ano passado, gerou as primeiras tarifas dos EUA contra o Brasil.
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