Tenente-coronel acusado de matar a esposa teve salário cancelado quando foi preso, diz nº 2 da Segurança de SP

Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob acusação de feminicídio, foi aposentado pela corporação com salário integral

3 abr 2026 - 09h16
Tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso em um imóvel em São José dos Campos (SP).
Tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso em um imóvel em São José dos Campos (SP).
Foto: Reprodução TV Globo / Estadão

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53 anos, réu pela morte da esposa, a PM Gisele Alves Santana, teve o salário cancelado pela corporação quando foi preso. É o que disse o secretário executivo da Segurança Pública de São Paulo, o coronel da Polícia Militar Henguel Ricardo Pereira, ao Estadão. 

“A PM cancelou o salário dele quando ele foi preso. Quando o militar é preso por qualquer tipo de crime, de imediato o salário dele é cancelado. Foi isso que foi feito”, declarou. A fala do número 2º da pasta ocorre após Geraldo Neto ser aposentado pela PM com salário integral

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A portaria de inatividade, publicada nesta quinta-feira, 2, que diz que, pela lei, ele tem o direito à aposentadoria pelos critérios proporcionais de idade, com vencimentos integrais. Na prática, o tenente-coronel foi mandado para a reserva e continuará recebendo o salário que, no mês de fevereiro de 2026, antes da prisão, foi de R$ 28,9 mil brutos, segundo o site da Transparência do Governo de São Paulo.

O PM já possui mais de 30 anos de contribuição previdenciária, e por isso, pode recorrer à Justiça para receber a aposentadoria pela São Paulo Previdência. “É uma questão legal e constitucional. Ele contribuiu por mais de 30 anos. Não é uma questão facultativa da Polícia Militar. Não somos nós que estabelecemos isso. É a Constituição que estabelece que quem contribui no regime previdenciário tem esse direito”, explicou Henguel.

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi morta em 18 de fevereiro com um tiro na cabeça disparado pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53
Foto: Reprodução / Estadão

Réu na Justiça Militar e na Justiça Comum, ele é o principal suspeito de matar a esposa, a policial Gisele Alves Santana, no apartamento onde os dois viviam, no Brás, centro de São Paulo. O caso aconteceu no dia 18 de fevereiro.

O tenente-coronel nega que tenha matado a esposa e alega que ela atentou contra a própria vida com um tiro na cabeça. Geraldo Neto contou à polícia que a mulher se suicidou depois que ele manifestou a ela o desejo do divórcio.

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Entenda o caso

O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas foi modificado para morte suspeita após a família da vítima relatar que ela vivia uma relação abusiva, com excesso de controle e ciúmes por parte de Geraldo Neto.

A polícia afirma que a versão do tenente-coronel não se sustenta e que Gisele foi assassinada pelo marido, ou seja, foi vítima de feminicídio. A conclusão foi feita com base em uma série de indícios técnicos que a perícia encontrou durante a apuração do caso.

Entre as evidências estão marcas de unha na região do pescoço e do rosto de Gisele; manchas de sangue dela no banheiro, na bermuda e na toalha de Geraldo Neto; a maneira como a arma foi encontrada na mão da vítima e o modo como o corpo da policial estava disposto no chão, indicando uma provável manipulação da cena do crime.

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto solicitou afastamento de suas funções na Polícia Militar após sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, ser encontrada morta com um disparo na cabeça
Foto: Reprodução/TV Globo/Facebook

Outro importante elemento explorado pelos investigadores foi a relação do casal. A Polícia Civil extraiu as mensagens trocadas por Geraldo Neto e Gisele, e o que eles encontraram foi o retrato de um casal que vivia com constantes brigas, instabilidade, mas também o de uma mulher submetida a um casamento de muito controle, submissão e ciúmes.

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Para a polícia, esses diálogos desmentiram a versão do tenente-coronel de que ele desejava o divórcio. O interesse pela separação, na verdade, partia de Gisele e era Geraldo quem impunha uma resistência a esse término.

A corregedoria da Polícia Militar também abriu uma investigação e tanto a Justiça Militar como a Justiça Comum decretaram a prisão do tenente-coronel. Geraldo Neto foi detido no dia 18 de março e aguarda julgamento.

Fonte: Portal Terra
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