A investigação que culminou na prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), contou com o apoio da Interpol. Entre as evidências que ligam a famosa à facção está uma mensagem que determinava uma transferência bancária para “Deo Beze”. Durante a investigação, a polícia confirmou que os dados informados eram os mesmos da conta bancária da advogada e influenciadora. As informações foram divulgadas no Fantástico, da TV Globo, na noite deste domingo, 24.
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Deolane Bezerra foi presa na quinta-feira, 21, sob a suspeita de lavagem de dinheiro, associação com o tráfico de drogas e de integrar a facção criminosa.
As investigações sobre a suposta ligação da famosa com o grupo avançaram enquanto ela passava uma temporada de mais de 20 dias em Roma, na Itália. Segundo a reportagem do dominical, a influenciadora ficou hospedada em um edifício de luxo na região da Piazza di Spagna, onde as diárias ultrapassariam R$ 15 mil.
O monitoramento da rotina de Deolane contou com o apoio da Interpol. A polícia brasileira teria planejado efetuar a prisão ainda no exterior, mas, como ela retornou ao Brasil na véspera da deflagração da operação, acabou detida ao desembarcar em São Paulo.
'Deo Beze'
De acordo com a investigação, o esquema de lavagem de dinheiro envolve uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, controlada pela cúpula do PCC, considerada a maior facção criminosa do país. A transportadora de fachada era administrada pelo 'gestor operacional da organização criminosa', Ciro César Lemos.
Everton de Souza, vulgo ‘Player’, era operador financeiro da facção, ‘mantendo estreitas ligações’ com Deolane, além de atuar como intermediador entre os irmãos Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola ‘Narigudo’, e Alejandro Camacho Júnior, além de Ciro César Lemos
Em mensagens obtidas pela investigação, Player dava orientações sobre a distribuição do dinheiro da transportadora de cargas, controlada pela família de Marcola. Em uma delas, Player determinava a transferência bancária para 'Deo Beze'. A investigação identificou que a conta pertencia à advogada e influenciadora Deolane Bezerra.
Caixa com nome de 'Dra Deolane'
Durante a operação que prendeu a influenciadora e advogada Deolane Bezerra dos Santos, na última quinta-feira, 21, a Polícia Civil encontrou uma máquina de contar dinheiro e uma caixa com cerca de R$ 50 mil em espécie com o nome ‘Dra Deolane’ gravado na tampa. Os itens estavam na casa de Everton de Souza, vulgo ‘Player’, apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A caixa estilizada foi encontrada em cima da pia de mármore da cozinha. As notas estavam presas em maço por um elástico e a tampa da caixa continha também a frase ‘o justo não se justifica’. A máquina de contar dinheiro estava naquele local também.
Player não estava no local quando a busca e apreensão foi realizada, mas foi preso em seguida. A defesa dele e dos demais suspeitos não foi encontrada até o momento.
Conversas extraídas do celular de Lemos revelam que ele recebia orientações do operador financeiro sobre a destinação dos valores, indicando contas para recebimento das partes correspondentes a cada líder do grupo criminoso.
‘Player’ também intermediava as comunicações sobre a distribuição dos ‘lucros’ da Lopes Lemos Transportes, empresa de fachada usada para lavagem de dinheiro, cujo endereço fica próximo à Penitenciária 2, de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.
A partir da transportadora é que o dinheiro do crime organizado era redirecionado para contas dos líderes da facção e também de Deolane, que abriu 35 empresas usando o mesmo endereço em uma área habitacional precária em Martinópolis, no interior de São Paulo.
Valores expressivos
A quebra dos sigilos bancário e fiscal de Player aponta volume expressivo de créditos, com inúmeros depósitos em espécie fracionados, realizados em diferentes praças - ‘padrão típico das condutas de ocultação da origem dos recursos e fragmentação da trilha financeira’, segundo a Polícia.
A Polícia Civil chegou até eles devido a bilhetes encontrados na Penitenciária II de Presidente Venceslau, em 2019. Os manuscritos deram origem à investigação que desmantelou o esquema criminoso de lavagem de dinheiro, do qual ela é suspeita de fazer parte.
Segundo o inquérito, as empresas vinculadas ao operador financeiro tinham as mesmas características das empresas de Deolane: endereços em imóveis residenciais sem atividade operacional, mesmo contador, outras pessoas jurídicas no mesmo endereço.
“Everton atua na administração dos bens de Marcos Willians Camacho e Alejandro, cabendo a Ciro César Lemos prestar-lhe contas e, ainda, mediante suas orientações, repassar valores em contas por ele indicadas, algumas de sua titularidade”, diz o relatório.
Ainda conforme a Polícia, a “apuração encontrou ligação entre Everton e Deolane, até então tida apenas como advogada de integrantes do crime organizado, colhendo inicialmente apontamento de que ela figuraria entre os beneficiários diretos dos repasses financeiros provenientes daquela transportadora gerida por Ciro César Lemos, sob mando dos irmãos Camacho”.
Inclusive, as mensagens entre Ciro e Player reforçaram a pista sobre contas bancárias utilizadas para o ‘acerto mensal/balancete ou fechamento’ da transportadora. Uma dessas contas, que seria da advogada, foi confirmada por comprovantes de depósitos bancários de uma agência na Luz, na região central da capital paulista.
“Aqui cabe destacar que o recebimento direcionado para a conta de Deolane foi feito em contexto de prestação e fechamento de contas, e não de mero pagamento por eventuais serviços advocatícios lícitos”, aponta o documento.
O inquérito informa ainda que a menção a Deolane, como recebedora de parte do valor do ‘fechamento’ daquele mês, foi exatamente o que fez a investigação avançar em sua direção e permitiu “comprovar que ela empresta toda a sua estrutura financeira e aparente respeitabilidade social para o trânsito e integração de valores ilícitos, recebidos em nome da organização criminosa, completando assim a terceira fase do processo de lavagem de capitais, ou seja, a integração no sistema formal.
A defesa de Deolane alega inocência da influenciadora. Ela passou por audiência de custódia e já foi transferida para a Penitenciária de Tupi Paulista, a mais de 600 quilômetros de São Paulo.
**Com informações do Estadão